CVC (CVCB3) salta 16%, Magalu (MGLU3) sobe 7% e mais: as ações que avançaram na sessão com a queda dos juros futuros

Falas mais brandas de autoridades do Federal Reserve levaram a um aumento de apetite ao risco no mercado

Equipe InfoMoney

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As ações ligadas aos setores de consumo doméstico registraram uma sessão de fortes ganhos na B3.

Os ativos de CVC (CVCB3, R$ 3,11, +16,48%), Magazine Luiza (MGLU3, R$ 1,99, +6,99%), GPA (PCAR3, R$ 3,75, +9,33%), Yduqs (YDUQ3, R$ 20,84, +6,11%) e Arezzo (ARZZ3, R$ 67,60, +4,87%) estiveram entre os maiores ganhos do índice nesta terça-feira (10). Aéreas como Gol (GOLL4, R$ 6,80, +7,26%) e Azul (AZUL4, R$ 13,33, +7,41%) também subiram forte em um dia de queda de 1,44% do dólar comercial.

O movimento ocorre principalmente por conta do noticiário macroeconômico, com alívio nos juros futuros, o que impacta os ativos de empresas de varejo e consumo.

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Em destaque com impacto na sessão, estão as falas mais brandas de autoridades do Federal Reserve, que compensaram temores sobre o conflito no Oriente Médio e influenciaram também os juros futuros por aqui.

A curva de juros brasileira teve um alívio. Os DIs para 2025 perderam 9,5 pontos-base, a 10,75%, e os para 2027,  13 pontos, a 10,76%. As taxas dos contratos para 2029 foram a 11,25%, com menos 12 pontos, e as dos para 2031, a 11,56%, com menos nove pontos.

“Os ativos mais sensíveis à oscilação de taxa de juros, assim como a queda do dólar, no dia de hoje frente as principais moedas trouxeram oxigênio para setores como varejo e aéreo”, fala Alan Martins. “A expectava de juros mais controlados após falas mais tranquilas vindas dos membros do FOMC, trouxe apetite para os mercados que precisavam mostrar sinais de altas após uma semana anterior de perdas generalizadas”.

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Autoridades do Federal Reserve indicaram na véspera que o aumento dos rendimentos dos Treasuries de longo prazo, que influenciam diretamente os custos de financiamento para famílias e empresas, poderia desviar o Fed de novos aumentos em sua taxa básica de curto prazo.

Essa indicação animava os ativos de risco, uma vez que foi justamente o medo de juros mais altos por mais tempo na maior economia do mundo que havia impulsionado uma fuga para ativos seguros nas últimas semanas.

Philip Jefferson, vice-presidente do Fomc, e Lorie Logan, presidente do Federal Reserve regional de Dallas. Jefferson, considerado próximo de Jerome Powell, presidente do Fed, disse que “estava atento” às taxas de juros elevadas, e que “manteria isso em mente quando fosse avaliar o futuro da política monetária.” Já Logan afirmou que a alta dos juros de mercado de longo prazo poderia ajudar os esforços do Fed para fazer a inflação, hoje ao redor de 4% ao ano, convergir para a meta de 2 por cento.

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Conforme destaca a Levante, os Fed Funds hoje estão na faixa entre 5,25% a 5,50% ao ano. Eles são juros referenciais, assim como a Selic, e servem de parâmetro para investimentos. No entanto, assim como ocorre no Brasil, o custo dos empréstimos para pessoas e empresas é balizado pela remuneração dos títulos públicos de longo prazo.

“Assim como, por aqui, o custo de emissão de uma debênture é calculado com um prêmio de risco em relação à remuneração do título Tesouro IPCA de prazo equivalente. Essa, na prática, é a frequentemente citada ‘curva de juros’. Se os juros de títulos longos do Tesouro americano (os de dez anos, por exemplo) sobem, isso encarece o crédito para pessoas e empresas e funciona como um aperto adicional na política monetária, ainda que o Fed não realize elevações adicionais dos juros referenciais”, avalia a Levante.

A equipe de análise aponta que os comentários dos diretores do Fed reforçam as expectativas dos investidores de que o banco central americano poderá manter os juros estáveis na próxima reunião do Fomc, agendada para os dias 31 de outubro e 1º de novembro.

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“Os mais otimistas esperam até uma decisão semelhante na última reunião deste ano, agendada para os dias 12 e 13 de dezembro. Se isso se confirmar, os juros permanecerão no patamar até o início de 2024, indicando fortemente que essa pode ser a ‘taxa terminal’”, avaliam.

Especificamente sobre as empresas daqui, analistas de mercado já estão na temporada de resultados do terceiro trimestre de 2023, que tem início no fim de outubro.

Sobre o e-commerce especificamente, o Itaú BBA apontou não ver nenhuma novidade frente os últimos balanços (do 2º trimestre). Na avaliação dos analistas, o Mercado Livre (MELI34) continua a superar seus concorrentes em uma sólida agenda de consolidação, com um forte crescimento de vendas brutas online (GMV) de 25% em relação ao ano anterior e uma aceleração do GMV de 1P (estoque próprio).  Além disso, projeta um aumento de 3,2 pontos percentuais (p.p.) na margem Ebit (Ebit, ou lucro antes de juros e impostos) em relação ao ano anterior.

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“Por outro lado, Magazine Luiza provavelmente mostrará números mais fracos, com um aumento de 2,5% no GMV online em relação ao ano anterior (impulsionado pelo 3P, ou marketplace) e uma queda de 0,2 ponto percentual na margem Ebitda em um ano, apesar da base de comparação fácil”, avalia o banco. O Magalu tem resultados previstos a serem divulgados no dia 13 de novembro.

Os analistas do BTG Pactual veem três tendências para o e-commerce brasileiro: (i) menor crescimento do GMV, refletindo menos renda disponível e restrições de capital das empresas e famílias, com a maioria dos players ainda exposta a categorias altamente cíclicas; (ii) atenção para a lucratividade (=menos foco em categorias não lucrativas e take rates mais altos) e preservação de caixa; e (iii) maior consolidação do mercado entre poucos players.

“Para o MGLU, o foco continua na expansão da operação do marketplace, gerando maior monetização do tráfego ao conectar mais serviços à plataforma e melhorando os níveis de serviço. No terceiro trimestre, esperamos que o GMV online cresça cerca de 8%, com SSS [vendas nas mesmas lojas] estável no trimestre, enquanto a margem Ebitda deve atingir cerca de 6%”, aponta.

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