Usiminas (USIM5) decide desligar temporariamente alto-forno em MG

Desligamento do alto-forno 1 vai ocorrer tão logo alto-forno 3 atinja ritmo pré-estabelecido de produção, o que deve ocorrer curto prazo

Felipe Moreira

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A Usiminas (USIM5) anunciou nesta terça-feira (12) que decidiu pelo “desligamento temporário” do alto-forno 1 de Ipatinga (MG), em meio aos custos gerados pela retomada da operação do maior alto-forno da usina, o de número 3, e forte concorrência de importações de aço no mercado interno.

A usina de Ipatinga tem três altos-fornos, sendo o 1 e o 2 com capacidades de cerca de 600 mil toneladas por ano cada e o número 3 com 3 milhões de toneladas anuais.

A siderúrgica já havia manifestado na semana passada que estava avaliando abafar um de seus dois fornos menores de Ipatinga, mantendo o nível de produção da usina por meio da operação do alto-forno 3.

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O desligamento do alto-forno 1 vai ocorrer “tão logo o alto-forno 3 atinja um ritmo pré-estabelecido de produção, o que é esperado a ocorrer no curto prazo”, afirmou a Usiminas, sem dar detalhes.

“A companhia busca proporcionar redução de custos e melhoria da competitividade no mercado”, afirmou a Usiminas no comunicado.

Usiminas (USIM5): BBA eleva recomendação para neutro

O Itaú BBA elevou a recomendação para ação da Usiminas de venda para neutro, além de elevar o preço-alvo de R$ 7 para R$ 9,50 por ação.

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O banco destaca que a empresa está sendo negociada a 3,8 vezes o valor da empresa (EV) em relação ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) para o ano de 2024, o que parece barato em comparação com níveis históricos. No entanto, a proposição de risco-recompensa não parece atrativa, dado que enxerga um potencial limitado de valorização no fluxo de caixa descontado (DCF) de 12% e uma fraca geração de caixa livre de aproximadamente R$ 240 milhões em 2024, prejudicado pelo desembolso de investimentos de R$ 2,1 bilhões.

A projeção de Ebitda foi elevada em 9% para 2024, atingindo R$ 3,2 bilhões, principalmente devido à incorporação da nova previsão de preço do minério de ferro de US$ 110 por tonelada para 2024.

Para divisão de mineração, o BBA projeta um Ebitda de R$ 835 milhões em 2024, um aumento em relação à estimativa anterior de R$ 364 milhões. Na divisão de aço, o banco que o Ebitda atinja R$ 2,2 bilhões em 2024 (9% abaixo do modelo anterior) devido a preços domésticos de aço inferiores ao esperado, que mais do que compensam uma visão mais positiva sobre os ganhos de eficiência com a expansão do alto forno 3.

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Analistas acreditam que a taxa de produção de aço no alto forno 3, que estava em torno de 2 milhões de toneladas por ano antes da parada para manutenção, pode retornar à capacidade total (3 milhões de toneladas por ano), resultando em ganhos de produtividade de cerca de 30%.

A Usiminas também espera ganhos de aproximadamente 9% na eficiência do combustível e cerca de 20% no consumo específico de coque, em comparação com o período anterior às obras de manutenção.

A Usiminas já havia sinalizado sua intenção de encerrar o alto forno 1 no final de novembro, refletindo a elevada penetração das importações de aço e a demanda interna ainda fraca. Analistas do BBI destacam que a capacidade geral de produção deve permanecer inalterada em relação aos níveis atuais, à medida que o alto forno 3, mais competitivo, aumenta. Em relação ao forno de coque nº 3, BBI ressalta que ele está temporariamente desligado desde agosto (operando com apenas 25% de sua capacidade ultimamente) e a Usiminas deverá continuar obtendo coque do forno nº 2, comprando material de terceiros sempre que necessário.

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BBI mantém recomenda neutra para o papel.

(Com Reuters)

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