Vulcabras (VULC3) lucra R$ 127,6 mi no 3º trimestre, alta anual de 30,3%, e anuncia R$ 36,8 mi em dividendos

Compania corre para manter crescimento das margens e aposta em chuteiras da Mizuno; dividendos passam de R$ 200 mi no ano

Ana Paula Ribeiro

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A Vulcabras (VULC3) manteve a continuidade do crescimento das margens e espera ainda ter fôlego para que essa expansão continue. Para isso, aposta nas vendas diretas ao consumidor e em novas linhas de negócios, como o início da fabricação de chuteiras da marca Mizuno. Na avaliação de Pedro Bartelle, presidente da companhia, há espaço para o incremento das receitas com os produtos de performance e uma maior participação do comércio eletrônico.

“O nosso setor cresce por dois motivos. Um é o aumento de pessoas que começaram a praticar esportes após a pandemia. O segundo ponto é que esses são itens que também estão sendo incorporados no dia a dia, seja por moda ou conforto”, diz.

No terceiro trimestre do ano, a fabricante de calçados esportivos registrou um lucro líquido societário de R$ 127,6 milhões, alta de 30,3% na comparação com igual período do ano passado. Esse resultado foi possível devido ao crescimento de 10,2% no faturamento, que alcançou R$ 731,4 milhões entre julho e setembro. Esse é o décimo terceiro trimestre de alta consecutiva. Já a margem bruta chegou a 42,9%, alta de 5,2 pontos percentuais na comparação com igual trimestre de 2022. Já a margem Ebitda ficou em 24,2%, alta de 4,2 pontos percentuais.

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O crescimento da Vulcabras nos últimos trimestre está ligado a uma decisão de negócios tomada em 2020, quando a empresa licenciou a marca Azaleia para a Grendene (GRND3), da mesma família, para se concentrar em calçados esportivos. Em 2021, incorporou ao portfólio a Mizuno, o que elevou para três as marcas do portfólio, que ainda conta com a Olympikus e a Under Armour.

“Conforme fomos tirando o (segmento) feminino do portfólio, a empresa foi ganhando eficiência em todos os processos”, diz.

Essa melhora de margens e resultados têm tido efeito nas ações da empresa. Os papéis estão cotados a R$ 17,91, alta de 50,5% no ano.

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Custos e precificação

Para o executivo, o crescimento das margens deriva de dois fatores. O primeiro é a estabilização, já desde o ano passado, dos custos das matérias-primas, que tinham sofrido uma forte elevação no início da pandemia da Covid-19. O outro foi uma política de preços que contou com a ajuda de produtos de maior valor no portfólio.

Essa margem conta com a ajuda da Mizuno. Pela primeira vez a marca japonesa teve uma linha desenvolvida fora do Japão, que é a tecnologia Response Foam. Também é dessa marca que serão as chuteiras que passarão a ser produzidas no Brasil.

“No que desenhamos para a empresa, quando há uma marca nova é para que ela melhore os resultados, dividindo custos e melhorando nossas margens. A Mizuno veio para isso. Ajudou a melhorar a eficiência de todas as marcas. As marcas internacionais têm uma margem um pouco maior, claro, porque precisamos pagar os royalties, mas é só um pouco mais de margem”, explica.

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A Olympikus responde por cerca de 50% das vendas da Vulcabras. A Mizuno por 35%, em média, e o restante com Under Armour. É na marca brasileira que estão os calçados mais acessíveis. Mesmo a linha de performance de corrida, chamada de Corre, tem um valor máximo de R$ 800. Já os tênis de performance da Mizuno chegam a custar R$ 2 mil. Foi mirando em um público intermediário que a Vulcabras desenvolveu uma nova linha para a marca japonesa no Brasil, com itens em torno de R$ 1 mil.

Dividendos

Com esses resultados, a empresa anunciou nesta terça-feira a distribuição de dividendos de R$ 36,8 milhões, ou R$ 0,15 por ação. Segundo Bartelle, enquanto não há uma nova aquisição ou expectativa de licenciamento de outras marcas, a companhia continuará a fazer isso. No ano, os dividendos pagos chegam a R$ 208 milhões

“A nossa política é investir ou distribuir. Não vamos empoçar caixa. Para o crescimento futuro, de forma orgânica ou inorgânica, temos a capacidade de fazer isso com geração própria de caixa”, explica.

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Novas aquisições, no entanto, dependem de um horizonte mais claro para os investimentos. Segundo o executivo, já algumas incertezas econômicas que dificultam o panejamento de longo prazo, mas que o mercado deve ficar mais aquecido a partir do próximo ano.

“As incertezas que existem no mercado, econômicas ou fiscais, deixam o empresariado esperar uma claridade melhor para fazer o planejamento de longo prazo”, diz, citando também preocupação com as importações de calçados da Ásia, frisando que o custo da mão-de-obra na região é menor por não respeitarem as regras da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Bartelle afirma que a Vulcabras tem olhado o mercado e que tem planos de crescimento orgânico, mas não descarta ter novas marcas dentro de casa.

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No crescimento orgânico, além do início da fabricação de chuteiras, a companhia espera a expansão das vendas diretas pelo comércio eletrônico, mas quer também mais lojas próprias.

O comercio eletrônico totalizou R$ 77 milhões em rendas no terceiro trimestre, uma alta de 99% na comparação com igual período de 2022. Além disso, ultrapassou os 10% das vendas totais e a expectativa é que essa fatia continue a crescer, embora a companhia não tenha um guidance.

“Vamos crescer, mas sempre pressa. Temos mais de 10 mil clientes (varejistas) em todo o Brasil, então temos que zelar pelas margens. O que fazemos é um e-commerce lucrativo. Não é só promocional”, conta.

Já do lado das lojas próprias, atualmente são nove. Três da Mizuno, outras três da Under Armour e as demais são de fábrica. A ideia é inaugurar um modelo de loja conceito, em que seja possível apresentar aos consumidores os calçados, o vestuário das marcas e também acessórios.

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Ana Paula Ribeiro

Jornalista colaboradora do InfoMoney