Suzano tem lucro 403% maior, Totvs e outros balanços; pedido de suspensão de acordo da Vale no STF, estreias na B3 e mais

Confira os destaques do noticiário corporativo na sessão desta quinta-feira (11)

Equipe InfoMoney

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SÃO PAULO – A temporada de resultados segue em destaque na sessão desta quinta-feira (11), com destaque para os números da Suzano, que viu seu lucro líquido saltar 403%, com outros números que foram avaliados positivamente por analistas de mercado. Totvs e Banrisul também revelaram seus números e, após o fechamento, Banco do Brasil, Biosev, Cesp, Cosan, Renner, Multiplan, Rumo e Sanepar divulgarão seus números.

Além da temporada de resultados, a sessão marca a estreia da Cruzeiro do Sul Educacional e da Westwing na B3.

Já o Valor informa que um grupo formado para representar os atingidos pelo rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), entrou com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a homologação do acordo feito entre a Vale e governo de Minas Gerais na semana passada. Confira mais destaques:

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Suzano (SUZB3)

A produtora de papel e celulose Suzano  teve lucro líquido de R$ 5,914 bilhões no quarto trimestre do ano passado, forte salto de 403% ante o resultado positivo de R$ 1,175 bilhão  registrado no mesmo período de 2019. O desempenho foi apoiado por um salto no resultado financeiro positivo da companhia, impulsionado por ganhos cambiais e com derivativos. A linha subiu de R$ 1,6 bilhão no quarto trimestre de 2019 para R$ 6,2 bilhões nos três meses encerrados em dezembro passado. Ajudou também no resultado geral do grupo uma melhora operacional com queda no custo de produção de celulose.

A companhia apurou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 3,965 bilhões nos três últimos meses do ano passado, crescimento anual de 61%.

A Suzano também estimou investimento de R$ 4,9 bilhões este ano, dos quais R$ 4 bilhões serão destinados às operações industriais e florestais do grupo.

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A companhia teve um preço líquido médio de celulose no exterior de US$ 459 por tonelada no quarto trimestre, uma queda de 2% sobre os três meses finais de 2019, mas o custo caixa de produção do insumo, sem considerar paradas de manutenção, recuou 1%, a 622 reais.

A combinação de uma melhora operação permitiu o crescimento no Ebitda apesar das vendas de celulose terem recuado 9% no quarto trimestre, para 2,66 milhões de toneladas. A receita líquida cresceu 14% e a geração de caixa operacional saltou 93%. A Suzano afirmou que reduziu seu estoque de celulose em cerca de 1 milhão de toneladas no ano passado.

Além disso, a companhia completou a curva de sinergias gerada pela fusão com a Fibria com captura de R$ 1,3 bilhão por ano em bases recorrentes entre 2019 e 2020. O resultado, segundo a empresa, ficou acima do esperado.

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No front de endividamento, a Suzano manteve trajetória de redução da alavancagem, reduzindo de 5,1 vezes no terceiro trimestre para 4,3 vezes ao final de dezembro em reais. Em dólares, a variação foi de 4,4 para 4,3 vezes.

O Credit Suisse destacou que o Ebitda  foi 8% acima do consenso e em linha com a previsão do Credit, devido a vendas mais fortes no trimestre, em sua avaliação, ao contrário do que muitos investidores esperavam.

O banco mantém a Suzano como sua ação favorita para faturar com a alta dos preços da celulose, que o Credit diz esperar que se mantenha até junho. O banco diz esperar um fluxo livre de caixa da Suzano de 10%, e queda na dívida líquida de 4,3 vezes o Ebitda para 2,7 vezes.  O Credit mantém avaliação de outperform para a Suzano, com preço-alvo de R$ 77, frente os R$ 68,20 de fechamento na quarta (10).

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O Itaú BBA diz avaliar que os resultados da Suzano para o quarto trimestre de 2020 são fortes, com o Ebitda de R$ 3,965 milhões superando em 19% suas estimativas, e em 6% o consenso do mercado. As vendas superaram a produção, levando a queda de estoques da Suzano, o que o BBA enxerga como indício de uma demanda sólida. A queda na dívida deve melhorar o pano de fundo para estratégias alternativas de crescimento. O banco mantém avaliação em outperform para a Suzano, com preço-alvo de R$ 66.

Totvs (TOTS3)

A desenvolvedora de softwares Totvs lucrou R$ 96,1 milhões no quarto trimestre do ano passado, 78,4% acima frente igual  período de 2019. O lucro da companhia foi de R$ 294,9 milhões em 2020, alta de 40,0% no comparativo anual.

Já a receita líquida teve alta 19,0% entre os trimestres, a R$ 689,4 milhões. A receita recorrente nos últimos três meses do ano foi de R$ 508,0 milhões, em alta de 13,7%. Em 2020, a receita líquida foi de R$ 2,59 bilhões, alta de 13,8% frente o ano anterior.

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O crescimento orgânico das receitas recorrentes foi de 9,2%, frente 8,2% no trimestre anterior, impulsionada por vendas mais fortes, taxas de retenção sólidas, e menor impacto do período de carência oferecido a clientes em trimestres anteriores.

Por outro lado, as receitas com licenciamento tiveram queda de 16% na comparação anual, e de 1% na comparação anual, após um terceiro trimestre forte.

O Credit Suisse afirmou que a receita líquida ficou em linha com suas expectativas, mas que as receitas recorrentes bateram suas estimativas em 1%. O Ebitda ficou 3% acima da estimativa do Credit Suisse, indicando uma forte margem, de 23,23%, impulsionada por provisões e contingências mais baixas. Além disso, a divisão Supplier teve bons resultados, contribuindo com R$ 17 milhões para o lucro Ebitda, em linha com o Credit Suisse.

O banco mantém uma visão positiva de que o ritmo continuará forte para a Totvs em 2021, tanto nos negócios de software quanto fintechs. O Credit tem avaliação de outperform para a Totvs, com preço-alvo de R$ 35, frente os R$ 31,41 de fechamento da véspera.

O Bradesco BBI comentou os resultados da Totvs. O crescimento do faturamento está em linha com suas estimativas, mas o Ebitda bateu 11%. A receita recorrente aumenta 14% na comparação anual. Na avaliação do banco, a Totvs está se tornando um “ecossistema”, com as margens de fornecedores em 32%, enquanto outras frentes começam a dar resultados.
Na avaliação do banco, os resultados da TOTVS reforçam sua visão positiva para a empresa, com a receita recorrente acelerando, e a forte taxa de retorno contábil indicando espaço para melhora.

Banrisul (BRSR6)

O lucro do Banrisul teve queda de 41,5% no quarto trimestre de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019, chegando a R$ 232 milhões. No quarto trimestre, a margem financeira foi de R$ 1.462,4 bilhão, alta de 18% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. As provisões para perdas foram de R$ 401,3 milhões, 25,6% superiores ao terceiro trimestre.

O índice de inadimplência de 90 dias foi de 2,31% em dezembro de 2020, queda de 1,06 ponto percentual em doze meses, ou de 0,67 ponto percentual em três meses.

O Morgan Stanley afirmou que o lucro do Banrisul no quarto trimestre foi 31% superior a sua estimativa, de R$ 177 milhões, devido a receitas maiores e controle de custos bem sucedido. O Morgan avalia que os resultados são “muito fortes”, e ressalta que o lucro líquido não se deve a provisões menores, como ocorreu em outros bancos na América Latina. As provisões antes de impostos tiveram, na verdade, alta de 68% na comparação trimestral, e de 103% na comparação anual.

O Morgan Stanley mantém avaliação de overweight (expectativa de valorização acima da média do mercado) para as ações do Banrisul.

O Bradesco BBI diz avaliar que os resultados do Banrisul foram bons, com lucro recorrente de R$ 330 milhões, acima do consenso de R$ 209 milhões, e de sua expectativa de R$ 99 milhões. Mas o Bradesco BBI mantém cautela, por acreditar que os próximos resultados serão impactados por maiores gastos com provisões e renda líquida de investimentos mais fracas, devido a maior presença do empréstimo corporativo. O banco alterou suas previsões, elevando em 34% a estimativa para lucro líquido em 2021, para R$ 979 milhões.

O Bradesco mantém avaliação neutra (expectativa de valorização dentro da média do mercado) para o Banrisul, com preço-alvo de R$ 17.

Cruzeiro do Sul (CSED3) e Westwing (WEST3)

Ainda em destaque, Cruzeiro do Sul e Westwing estreiam na bolsa.

A oferta inicial de ações (IPO) do grupo privado de ensino superior Cruzeiro do Sul saiu a R$ 14 por papel e movimentou R$ 1,23 bilhão.

Do montante total, R$ 1,07 bilhão correspondem à emissão de ações novas, cujos recursos irão para o caixa da companhia, que pretende usá-los para comprar rivais no setor. Outros R$ 160,65 milhões são da venda de ações detidas por sócios da Cruzeiro do Sul, incluindo fundos geridos pela BRL Trust e pela Magnetis.

Já a loja de decoração online Westwing fixou o preço por ação em sua oferta a R$ 13 cada, movimentando cerca de R$ 1,16 bilhão com a venda de 89,3 milhões de ações.

Cosan (CSAN3) e IMC (MEAL3)

A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, fechou na quarta um acordo com a IMC para abertura de unidades da rede Frango Assado em postos Shell, e migração de postos da IMC para a Shell. A IMC tem 19 postos com as bandeiras BR, Ale e Ipiranga, e é dona da marca Frango Assado, com 25 unidades no Brasil.

“Enxergamos o anúncio da parceria com bons olhos e ficaremos atentos ao desenrolar dessa aproximação entre IMC e donos de postos, uma vez que o comunicado contempla apenas a proposição da instalação de unidades do Frango Assado, mas não apresenta metas sobre abertura de lojas, nem mais detalhes sobre como funcionaria o rateio de resultados e despesas entre participantes”, aponta a XP Investimentos.

Ainda no radar, o Credit Suisse disse avaliar que os resultados do quarto trimestre da Comgás, subsidiária da Cosan, vieram fortes, com Ebitda de R$ 684 milhões, 40% acima do patamar de um ano antes, frente a sua estimativa de alta de 32%.

O banco vê o resultado como positivo, com os volumes com alta de 7% na comparação trimestral e 8% na comparação anual, cerca de 9% melhores que suas estimativas. As margens foram apoiadas por queda nas despesas gerais, com vendas e administrativas, de 42%, com alta de receitas e reversão nas provisões por empréstimos ruins.

Vale (VALE3)

O Valor informa que um grupo formado para representar os atingidos pelo rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a homologação do acordo feito entre a Vale e governo de Minas Gerais na semana passada. Ainda não foi sorteado relator para avaliar o pedido.

Esses grupos alegam que as vítimas não fizeram parte das negociações e solicitam uma nova rodada de negociações, com a participação de civis impactados pelo rompimento da barragem. A Vale e as autoridades não comentaram a notícia.

O Morgan Stanley destaca que o acordo que a Vale fechou com as autoridades na semana passada não contempla indenizações individuais e, na visão dos analistas, não prejudica o potencial de pagamento às pessoas impactadas pelo acidente. A Vale está negociando acordos individuais com eles.

“Nossa primeira reação é que dificilmente o STF aceitará o pedido ou cancelará o acordo, que incide também sobre outros aspectos do trágico acontecimento (por exemplo, danos coletivos e ambientais)”, avaliam os analistas do banco. Eles ainda destacam que o acordo foi realizado entre o governo de Minas Gerais, com participação do Ministério Público Estadual e já foi homologado por um tribunal.

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