Selic impacta lucro do Assaí, que soma R$ 185 milhões no 3ºtri; faturamento cresce 22%

Receita líquida somou R$ 17,0 bilhões, o que representa um avanço de 22,9% em comparação ao terceiro trimestre de 2022

Lucinda Pinto

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O nível ainda elevado dos juros impactou o resultado do Assaí, que fechou o terceiro trimestre com  lucro líquido  de R$ 185 milhões, queda de 34,2% em relação a igual período do ano passado (R$ 281 milhões).  No acumulado do ano, o lucro líquido ficou em R$ 413 milhões, um recuo de 49,3% ante mesmo período do ano anterior.

Quando se olha para os dados operacionais, no entanto, o quadro é bem mais positivo. A rede de atacarejo mostrou um crescimento de 22% de seu faturamento, para R$ 18,2 bilhões. A receita líquida somou R$ 17,0 bilhões, o que representa um avanço de 22,9% em comparação ao terceiro trimestre de 2022. Já o Ebitda ajustado pré-IRFS 16 foi de R$ 911 milhões, crescimento de 21,9%. Sob esse critério, a margem Ebitda ficou em 5,4%.

As vendas ‘mesmas lojas’ mostraram ligeira queda, de 0,9% em relação ao terceiro trimestre de 2022, e de 2% na leitura sequencial. Ao longo do trimestre, entretanto, houve recuperação e, entre agosto e setembro, as vendas mesmas lojas já mostravam crescimento.

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“Nosso resultado financeiro foi afetado pelos juros, mas  é muito expressivo o quanto nosso resultado operacional melhorou”, afirmou ao IM Business Daniela Sabbag, CFO, do Assaí. Ela diz que um dos pontos de destaque do avanço do faturamento foi a evolução da conversão das antigas lojas do Extra, adquiridas pelo Assai em 2021.

Segundo Daniela, o índice multiplicador do faturamento nessas lojas que já foram convertidas  subiu de  2,5 vezes no segundo trimestre para 2,7 vezes. Quando se olha apenas para o segmento de alimentos, o indicador já está em 3,7 vezes. O faturamento médio dessas unidades hoje está em R$ 25 milhões. Hoje, 90% das antigas lojas do Extra já operam com a bandeira Assaí, o equivalente a 59 lojas, das 66 adquiridas.

“Houve uma maturação das vendas e da rentabilidade muito acelerada”, afirma Daniela. Isso ocorreu por causa da localização diferenciada desses pontos de venda, mas também pela adequação pela qual essas lojas passaram tanto em termos de serviços quanto de sortimentos. “Esse resultado traz a ideia da resiliência da empresa, na contramão do que parte do mercado vem relatando”, afirma Daniela. “Para nós, o terceiro trimestre foi melhor do que o primeiro semestre.”

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Esse quadro permitiu que a companhia tivesse uma geração de caixa da ordem de R$ 4,9 bilhões, um  crescimento de 54%  ante igual período de 2022. Montante que mais do que cobre o investimento previsto de R$ 4,7 bi em 12 meses. Segundo a companhia, desde 2021, foram gerados R$ 9,3 bilhões de caixa operacional que suportaram 90% dos investimentos, de R$ 10,3 bilhões, para a abertura de 103 novas lojas, incluindo a aquisição dos hipermercados.

A geração de caixa abriu caminho para um recuo  no nível de alavancagem da companhia, que terminou o trimestre em 4,4 vezes, 0,2 ponto  abaixo do observado no período anterior Daniela diz que essa tendência de queda da alavancagem deve prosseguir, uma vez que a empresa está muito perto de concluir o processo de incorporação das lojas Extra.”A geração de caixa virá de forma mais relevante daqui para frente, o que vai resultar em uma queda ainda maior da alavancagem”, diz.

Lucinda Pinto

Editora-assistente do Broadcast, da Agência Estado por 11 anos. Em 2010, foi para o Valor Econômico, onde ocupou as funções de editora assistente de Finanças, editora do Valor PRO e repórter especial.