CFO da Pague Menos fala sobre possibilidade de follow on e prejuízo da Extrafarma

Em entrevista ao InfoMoney, Luiz Novais comentou, entre outras coisas, sobre a estratégia para gerar ganhos de sinergia com a compra da Extrafarma; assista

Anderson Figo

A aquisição da rede Extrafarma deve começar a impactar positivamente o balanço da Pague Menos (PGMN3) a partir do primeiro trimestre de 2023, segundo o CFO do grupo, Luiz Novais. Entre julho e setembro deste ano, o processo de consolidação da Extrafarma (integração de sistemas, fechamento e adaptação de lojas) gerou prejuízo para a marca, ofuscando o bom desempenho da rede Pague Menos no período.

“A gente trabalhou nesses primeiros meses [após a aprovação da aquisição] para juntar as duas estruturas administrativas. Acabou acontecendo um volume relevante de desligamentos, incidindo em indenizações para os colaboradores, o que afeta negativamente o resultado. A gente também descontinuou a operação no atacado que a Extrafarma tinha, isso tem algum impacto no resultado da companhia”, disse o CFO.

“A gente também contabilizou algumas perdas de estoques de produtos avariados ou vencidos. O resultado que a gente mapeou para a Extrafarma antes da captura de sinergias em Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização] é próximo de zero. Era o que vinha sendo registrado até o segundo trimestre de 2022. A gente deve retomar esse resultado provavelmente no primeiro trimestre do ano que vem. E também no primeiro trimestre de 2023 a gente já deve ter algum efeito positivo da captura de sinergias para a Pague Menos”, completou.

Novais participou do Por Dentro dos Resultados, projeto no qual o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Os executivos falam sobre o balanço do terceiro trimestre de 2022 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Segundo o CFO da Pague Menos, a expectativa de ganho de sinergias é de um range entre R$ 180 milhões e R$ 275 milhões no Ebitda da companhia, diluído em alguns trimestres até o final de 2024. Para o primeiro trimestre de 2023, a curva indicava um ganho de R$ 20 milhões anualizados. “A gente já tem contratado algo em torno de R$ 38 milhões anualizados”, disse.

O executivo comentou ainda sobre o nível de alavancagem da companhia, que deve atingir um pico no primeiro trimestre de 2023 e voltar a cair na sequência, até chegar em 1,7x (relação entre dívida líquida e Ebitda) no último trimestre de 2024. Ele não acredita que haja necessidade de uma captação via follow on (oferta subsequente de ações), mas que isso é uma decisão do conselho da empresa.

“A decisão do follow on é mais atribuição do conselho e dos acionistas. A gente trabalha com a hipótese de manter esse endividamento e, obviamente, a gente tem alavancas dentro da companhia para diminuir essa alavancagem, que é trabalhar melhor o prazo médio de estoques, a gente tem hoje um nível de estoques mais alto por conta da ruptura da indústria que ainda está bem errática, a gente está trabalhando com mais ou menos oito dias a mais em estoques, mais ou menos R$ 150 milhões. Assim que a indústria retomar seu nível normalizado de produção e entrega de mercadorias, a gente poderia desmobilizar esse estoque, reforçando o caixa da companhia”, disse.

“Sobre o follow on, a gente aguarda decisão do conselho, mas acho difícil [eles aprovarem esse tipo de operação] por conta do fato de o mercado de capitais aqui no Brasil ainda estar bem estressado pelas eleições. É um ambiente ainda bem conturbado. O cenário não está favorável para captações [via oferta de ações]”, completou.

Novais falou ainda sobre política de distribuição de dividendos, crescimento das receitas geradas pela venda de genéricos e de produtos de marca própria, sobre como o aumento da Selic impacta a operação e o que esperar do novo governo para o setor de saúde/farmacêutico a partir de 2023, sobre fechamento e abertura de lojas, expansão focada no Norte e Nordeste, futuro da marca Extrafarma e a oferta de mais produtos nas lojas da marca, além do crescimento das vendas por canais digitais. Assista à entrevista completa acima, ou clique aqui.

Newsletter

Infomorning

Receba no seu e-mail logo pela manhã as notícias que vão mexer com os mercados, com os seus investimentos e o seu bolso durante o dia

E-mail inválido!

Ao informar os dados, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Anderson Figo

Editor de Minhas Finanças do InfoMoney, cobre temas como consumo, tecnologia, negócios e investimentos.