Recuo na gasolina alivia inflação, mas pressão segue nos alimentos

Economistas alertam que há riscos à frente, como a alta do dólar e a retomada do setor de serviços

Estadão Conteúdo

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A redução dos preços da conta de luz, da gasolina e do etanol, após ação do governo federal para reduzir tributos federais e estaduais já produz os primeiros alívios na inflação ao consumidor, mas o encarecimento de outros itens, como alimentos, poderá atrapalhar a sensação positiva, mostram dados divulgados na segunda-feira (18).

O preço médio do litro da gasolina caiu pela quarta semana consecutiva e recuou para R$ 6,07, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Além disso, novas reduções podem ocorrer, já que ao menos seis estados anunciaram cortes no ICMS sobre o etanol (e a gasolina comum tem 27% do biocombustível).

A tarifa de eletricidade residencial também recuou, segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV). A queda foi de 2,29% no Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) referente à segunda semana de julho, o que ajudou o indicador a ficar em 0,24%.

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Como contraponto, o grupo alimentação foi a única das oito classes de despesa que acelerou no Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) de julho, também divulgado pela FGV. A alta subiu de 0,42% em junho para 1,48% em julho, com o item laticínios saltando 8,81%, e o leite longa vida ficando 16,74% mais caro.

Recuo momentâneo na inflação

Ainda assim, a expectativa é de deflação (queda de preços) em julho, graças às desonerações. Economistas do mercado preveem queda de 0,46% no IPCA (o índice oficial de inflação), aponta o Relatório Focus desta semana (há um mês, a projeção era de alta de 0,43%).

André Braz, coordenador dos Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, acredita que a queda nos índices de preços ao consumidor poderá chegar a 1,0% em julho, “mas será muito concentrado em energia e gasolina” (juntos, combustíveis e a conta de luz respondem por cerca de 10% da inflação).

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Mesmo assim, há riscos à frente — e o principal está associado à perspectiva de alta do dólar.

Para combater a maior inflação em 40 anos, o Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) vem subindo os juros, o que tende a atrair os fluxos de capital globais para os EUA, encarecendo o dólar no mundo todo. Para piorar, por aqui a alta pode ser turbinada por perspectivas de aumento no desequilíbrio das contas do governo, destaca Braz.

Economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Maria Andreia Lameiras destaca que, além de eventual alta do dólar, há risco na retomada do setor de serviços. Com negócios como bares e restaurantes voltando a funcionar normalmente, os preços desses serviços podem subir também.

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Impacto do dólar nos preços

Uma alta mais expressiva do dólar moderaria o alívio com a queda nas cotações internacionais das matérias-primas, como minério de ferro, trigo, soja e milho e petróleo. O câmbio também afeta os preços dos alimentos, como milho, soja, trigo e carnes, que são cotados em dólar mesmo o Brasil sendo grande produtor.

Os preços de alimentos afetam, principalmente, os orçamentos das famílias de menor renda, e Braz diz que isso pode fazer com que o alívio nos combustíveis seja mais sentido entre as famílias de maior renda.

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