Pelé: ícone do esporte, ministro e empresário; conheça todas as faces do Rei do Futebol

Edson Arantes do Nascimento morreu nesta quinta (29), aos 82 anos. Mas a lenda de Pelé será eterna. Conheça a trajetória da carreira, dos negócios e da vida pessoal do Atleta do Século.

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Pelé, o maior jogador de futebol de todos os tempos e o primeiro ícone global do esporte, morreu nesta quinta-feira (29) em São Paulo, aos 82 anos.

O ídolo estava internado desde 29 de novembro no hospital Albert Einstein, que confirmou a causa da morte como falência múltipla dos órgãos em decorrência de um câncer no colón.

Nascido Edson Arantes do Nascimento, Pelé marcou 1.283 gols em 1.367 partidas, nos seus 21 anos de carreira pelos gramados do mundo. 77 desses gols foram pela seleção brasileira, equipe pela qual ele conquistou três Copas do Mundo, feito jamais repetido por qualquer outro jogador no planeta.

Pelé era celebrado não apenas no Brasil, mas em qualquer lugar que pisasse no planeta. Era reverenciado pelo que fez dentro de campo, mas também pela simpatia e carisma fora dos gramados. Um ídolo que acreditava no poder do esporte para unir povos e eliminar diferenças.

Dico

Edson Arantes do Nascimento nasceu em 23 de outubro de 1940, na cidade de Três Corações, em Minas Gerais. Ele é o filho mais velho de João Ramos do Nascimento, o Dondinho, também jogador de futebol, e Celeste Arantes do Nascimento.

Habilidoso e exímio cabeceador, Dondinho chegou a marcar cinco gols de cabeça pelo Yuracan de Itajubá (MG) numa única partida. No início dos anos 1940, foi chamado para jogar pelo Atlético Mineiro, maior clube do estado. No primeiro jogo, contra o São Cristóvão do Rio de Janeiro, chocou-se com o zagueiro adversário Augusto e sofreu uma grave lesão no joelho. Era o fim de sua brevíssima carreira em times grandes.

A família se mudou para Bauru, no interior de São Paulo. O pai foi trabalhar num armazém, a Casa Lusitânia, e, ao mesmo tempo, jogava para uma equipe local, o Bauru Atlético Clube (BAC). Depois de Edson – que ganhou o nome em homenagem ao inventor norte-americano Thomas Edison -, o casal Nascimento teve mais dois filhos: Jair, que ganhou o apelido de Zoca, e Maria Lúcia. Em família, Pelé era chamado de Dico.

Edson desenvolveu suas habilidades com a bola sob a orientação do pai e jogando peladas com os amigos nas ruas de Bauru. A mãe, porém, queria que o filho estudasse e deixasse de lado o futebol, pois a decepção com a interrupção precoce da carreira de Dondinho, e o consequente empobrecimento da família, estavam frescos em sua cabeça.

Para ajudar nas contas da casa, aos sete anos Pelé começou a trabalhar meio período como engraxate na estação ferroviária de Bauru. Trabalhou também numa fábrica de sapatos e como entregador de pasteis. No documentário que a Netflix produziu sobre sua vida, ele aparece batucando numa pequena caixa de engraxar. É a mesma da infância que, surpreendentemente, sua mãe guardou por décadas, inclusive com o dinheiro que ele ganhou no primeiro dia de serviço.

Apesar dos protestos da mãe, o menino continuou a jogar bola. Descalço e chutando bolas de meia, às vezes jogando como goleiro, ganhou dos amigos o apelido de Pelé. Não gostava, mas (até por isso) o nome pegou. Mais tarde, já famoso, Edson começou a falar de Pelé na terceira pessoa, como se quisesse separar o homem da lenda.

De Santos para o mundo

Ainda no interior de São Paulo, foi jogar no time juvenil do BAC, que era treinado pelo ex-jogador Waldemar de Brito. O mesmo Waldemar levou o rapaz para fazer um teste no Santos. “Esse menino vai ser o melhor jogador de futebol do mundo”, disse o treinador ao apresentá-lo aos dirigentes do clube da Vila Belmiro, em 22 de julho de 1956, segundo o site do clube. Pelé tinha 15 anos.

Na época, o Santos não era um gigante do futebol brasileiro, mas estava em ascensão. Precoce, Pelé fez sua estreia no time principal num amistoso contra o Corinthians de Santo André, um mês depois de chegar ao clube. Ele fez o sexto gol numa vitória de 7 a 1. Nascia a lenda. Herdou a mítica camisa 10 quando passou a ser titular, em 1957, substituindo o centroavante Vasconcelos, que quebrou a perna numa partida contra o São Paulo.

Não demorou até ser convocado pela Seleção Brasileira, em 1957, para disputar a Copa Roca, um torneio de duas partidas entre o Brasil e a Argentina. Pelé marcou um gol em cada jogo e a seleção brasileira levou o título. No mesmo ano, ele foi o artilheiro do Campeonato Paulista pelo Santos, com 36 gols.

Pelé jogou pelo Santos até 1974. Nesse período, o Alvinegro Praiano conquistou dez Campeonatos Paulistas, seis Brasileiros, duas Libertadores e dois Mundiais Interclubes, em 1962 e 1963, apenas para citar os títulos mais importantes. Pelo Peixe, o Rei também marcou seu lendário milésimo gol, numa partida contra o Vasco, em 1969, no Maracanã, em cobrança de pênalti.

O Santos se tornou tão popular que passou a rodar o mundo em turnês, como se fosse uma banda de rock, com Pelé como seu “frontman”. A equipe disputou inúmeros torneios e amistosos contra clubes de todos os cantos do planeta.

Tricampeão mundial

O estrelato internacional veio cedo também, na Copa do Mundo de 1958, disputada na Suécia. Pelé tinha apenas 17 anos e marcou seu primeiro gol nas quartas-de-final, contra o País de Gales, em jogo vencido pelo Brasil por 1 a 0.

Vale lembrar que ele estreou na competição somente na última partida da fase de grupos, contra a União Soviética, pois se recuperava de uma contusão sofrida numa disputa preparatória da Seleção. Ao lado de Garrincha e Didi, liderou a equipe na vitória por 2 a 0. Não marcou, mas chutou bola na trave e deu o passe para Vavá fazer o segundo gol.

Pelé durante jogo do Brasil no Maracanã, em 1958
Pelé durante jogo do Brasil no Maracanã, em 1958 (Pictorial Parade/Archive Photos/Getty Images)

Na semifinal, enfrentando a França, o Brasil venceu por 5 a 2, com três gols de Pelé. Marcou mais duas vezes na vitória de 5 a 2 sobre a Suécia, na final, sacramentando o primeiro título mundial da Seleção. O Rei se tornou o jogador mais jovem a conquistar uma Copa, marca que mantém até hoje. Ele cumpriu a promessa de ganhar um mundial, feita ao seu pai após a derrota brasileira frente ao Uruguai na Copa de 1950, no Maracanã.

Em 1962, na Copa do Chile, a Seleção venceu a primeira partida, contra o México, por 2 a 0, com um gol de Pelé. No segundo jogo, porém, contra a Tchecoslováquia, o Rei sofreu uma lesão e teve que assistir ao resto do Mundial de fora do campo. O Brasil foi bicampeão, mas esta se tornou conhecida como a Copa de Garrincha, pelo desempenho do Anjo de Pernas Tortas.

Em 1966, o Brasil chegou à Copa da Inglaterra como grande favorito, mas a seleção foi uma decepção. O Brasil venceu o primeiro jogo, contra a Bulgária, por 2 a 0, com um gol de Pelé. Perseguido o tempo todo por zagueiros, ele deixou o campo mancando. Foi poupado na segunda partida, contra a Hungria. Embora ainda com dores, ele conta que ficou chocado e revoltado com a decisão dos dirigentes de deixá-lo no banco. A Seleção perdeu por 3 a 1.

Depois de mais uma derrota, também por 3 a 1, contra a Seleção Portuguesa de Eusébio, a equipe brasileira foi eliminada na primeira fase.

Irritado e machucado – a Copa da Inglaterra foi considerada a mais violenta até então, com péssima atuação da arbitragem -, Pelé disse: “Eu nunca mais vou jogar outra Copa do Mundo”. Por algum tempo, parecia decidido. Mas como todo mundo sabe, não foi o que ocorreu.

Pelé estava de volta à Seleção para disputar a Copa de 1970. A equipe, originalmente treinada pelo jornalista João Saldanha, foi para o mundial sob o comando de Mário Jorge Lobo Zagallo, companheiro do Rei como jogador na Suécia, em 1958, e no Chile, em 1962.

Pelé comemora o título da Copa do Mundo de 1970, no México
Pelé comemora o título da Copa do Mundo de 1970, no México (Alessandro Sabattini/Getty Images)

Era o momento mais duro da ditadura militar no Brasil, e o presidente da República, o general Emílio Garrastazu Médici, fã de futebol, dava pitacos na escalação. Era também a época do “milagre econômico” e do ufanismo exacerbado.

Foi neste contexto que a Seleção desembarcou no México. Pela primeira vez, Pelé participou de todas as partidas de uma Copa. Ficou célebre sua tentativa de encobrir o goleiro do Uruguai, na semifinal, com um chute de meio de campo que por pouco não entrou. Na final, contra a Itália, o Brasil venceu por 4 a 1, com um gol de cabeça do Rei, e o passe para o capitão Carlos Alberto Torres marcar o último.

O Brasil se tornou o primeiro tricampeão mundial e ficou em definitivo com a Taça Jules Rimet, o troféu da Copa do Mundo. Isso até ela ser roubada da sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no Rio de Janeiro, em 1983. Mas essa é outra história.

Despedidas

Pelé é até hoje o único jogador de futebol a participar da conquista de três Copas do Mundo. Como profissional, ele jogou pela Seleção pela última vez em 1971, num amistoso contra a Iugoslávia, no Maracanã. Esta foi a primeira das muitas despedidas do Rei. Com 95 gols marcados, ele é até hoje o maior artilheiro da equipe masculina.

O Rei ainda vestiria a camisa amarela uma última vez em 1990, num amistoso contra um combinado do resto do mundo, em comemoração ao seu aniversário de 50 anos. Ele jogou o primeiro tempo e, pela primeira e única vez em sua carreira na seleção, usou a braçadeira de capitão.

No Santos, Pelé jogou até 1974. Sua despedida ocorreu numa partida contra a Ponte Preta, pelo Campeonato Paulista, na Vila Belmiro. No meio do campo, ele se ajoelhou diante da bola e abriu os braços. Foram 1.116 gols pelo Peixe.

Em 1975, o Rei suspendeu sua aposentadoria para jogar no Cosmos, de Nova York. Steve Ross, então CEO da Warner, era um dos fundadores da equipe e queria popularizar o futebol nos Estados Unidos – nada melhor do que contratar o maior jogador de todos os tempos. Pelé jogou três temporadas pela equipe americana. Outras estrelas internacionais se juntaram ao time no período, como o alemão Franz Beckenbauer, o italiano Giorgio Chinaglia e Carlos Alberto, o “Capita” da Seleção de 1970.

O clube faturou o título da liga norte-americana em 1977. Naquele mesmo ano, Pelé fez sua despedida em jogo contra o Santos, no estádio do New York Giants, time de futebol americano. O craque jogou um tempo por cada equipe e marcou um gol para o Cosmos na primeira etapa.

Primeiro ícone global do esporte

Celebridade global desde o final da década de 1950, Pelé foi uma das primeiras estrelas esportivas a faturar alto com publicidade. A força comercial de seu nome permaneceu até seus últimos dias – e ainda deve perdurar por muito tempo.

“Pelé é o primeiro milionário do futebol”, diz uma voz em off no documentário “Pelé”, lançado em 2021 pela plataforma de streaming Netflix. “Seu nome vende qualquer coisa, de gasolina a pasta de dentes”, acrescenta outro narrador, enquanto são exibidas cenas de anúncios antigos da Shell, Biotônico Fontoura, drops Dulcora e, claro, o Café Pelé.

“Uma das primeira ofertas que eu recebi foi da Tetra Pak, empresa sueca de embalagens”, contou o próprio Rei no livro “Pelé: a importância do futebol”, escrito em parceria com o jornalista norte-americano Brian Winter e lançado em 2014, às vésperas da Copa no Brasil.

“Nos anos que se seguiram à Copa do Mundo de 1958, sempre houve um lugar para a Suécia no meu coração”, disse ele. “Mas fiquei bem surpreso quando, por volta de 1961, os dirigentes do Santos me chamaram e disseram que que a Tetra Pak queria que eu fizesse o endosso dos produtos deles”, relatou.

O estranhamento reflete o ineditismo da coisa. Pelé havia se tornado campeão do mundo com a Seleção Brasileira em 1958, na Suécia, e seguia carreira vitoriosa no Santos. Mas a ideia de ganhar dinheiro para fazer algo que não fosse jogar bola lhe parecia esquisita. Ligou até para o pai em busca de orientação.

“Você é atleta, não um ator. E eles vão mesmo te pagar para isso?”, questionou Dondinho. “Também não fazia muito sentido para mim. Pelo menos não no começo. Os atletas americanos davam apoio a produtos e apareciam em comerciais desde os tempos do grande astro do baseball, Babe Ruth, mas no Brasil – e no resto do mundo -, o conceito de ‘endosso’ ainda era novidade”, explicou.

Pelé fechou contrato com a Tetra Pak e o garoto propaganda estava criado. “Abriu as comportas: quase da noite para o dia eu passei a receber tantas ofertas de empresas brasileiras e internacionais que não sabia o que fazer com elas”, disse.

No documentário, o Rei diz que que em determinado momento começou a viajar mais para compromissos publicitários do que para jogar futebol. Ele comenta, inclusive, que suas ausências constantes atrapalharam o relacionamento com sua primeira mulher, Rosemeri Cholbi, a Rose, com quem se casou em 1966.

Pelé lança exibição fotográfica em Londres em 2003
Pelé lança exibição fotográfica em Londres em 2003 (Aura/Getty Images)

Celebridade imune ao tempo

Apesar de ter parado de jogar em 1977, Pelé continuou requisitado para campanhas publicitárias e por empresas ávidas em associar suas marcas ao nome do astro.

Em junho de 2021, por exemplo, Pelé participou de peça de divulgação do serviço de pagamentos do WhatsApp. Ele conversa por videoconferência com Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, que explica o funcionamento da ferramenta. Pelé chama o norte-americano de “Rei do ZapZap”. O ex-jogador tinha acordo também com a Eletronic Arts (EA) e aparece no videogame Fifa 21.

Em fevereiro de 2021, a Forbes Brasil publicou uma reportagem em que calcula que Pelé seria o jogador mais bem pago do mundo, se ainda atuasse. A publicação estima que o Rei poderia ganhar US$ 223 milhões por ano, entre salário, patrocínios, direitos de imagem e outras verbas; à frente de estrelas como o argentino Lionel Messi, o português Cristiano Ronaldo, Neymar e o francês Mbappé.

Só que Pelé foi astro numa época em que eram inimagináveis as cifras gigantescas pagas aos jogadores da atualidade. A Forbes informa que a fortuna dele é estimada em cerca de US$ 100 milhões, menos do que Messi e Cristiano Ronaldo faturam por ano. Os ganhos anuais de Neymar são calculados em US$ 96 milhões.

Isso não quer dizer que o Rei ganhou pouco. Numa lista publicada em março de 2014, a Forbes o colocou entre os 12 atletas aposentados mais bem pagos do mundo nos 12 meses anteriores. Ele aparecia na 10a colocação, com US$ 15 milhões. Vale lembrar que 2014 foi o ano da Copa no Brasil e Pelé teve bastante trabalho fazendo publicidade para marcas como Hublot, Santander, Subway, Volkswagen e outras.

Os direitos de imagem de Pelé são administrados pelo empresário norte-americano Joe Fraga, responsável pelo licenciamento, marketing, comunicação e tudo o que for relacionado ao Rei na área comercial. Em 2010, o ex-jogador repassou os direitos da marca Pelé para uma agência internacional em troca de adiantamento, salário mensal e porcentagem sobre os negócios.

Tombos nos negócios

Mesmo antes disso, o craque havia decidido terceirizar a administração de sua marca, pois sua relação com os negócios foi cheia de altos e (muitos) baixos. No anos 1960, Pelé teve prejuízos enormes com negócios feitos pelo espanhol José Ozores Gonzales, o Pepe Gordo, seu sócio na época. Em 1974, ao se aposentar do Santos, se viu novamente cheio de dívidas decorrentes de maus empreendimentos.

“Os dois episódios tinham muito em comum. Nos dois casos eu confiei em pessoas que acreditava serem meus amigos, mas que apenas queriam dinheiro e fama para si mesmos. Nos dois casos a vontade de me concentrar no futebol – e só no futebol – acabou me deixando descuidado e imprudente com meu patrimônio”, disse o ex-jogador.

O Rei investiu em participações em empresas de diferentes ramos que não prosperaram. “Eu era uma das primeira grandes estrelas globais do esporte a fazer milhões com publicidade, eu era também um dos primeiros a perder tudo o que tinha”, acrescentou.

Esta foi uma das razões que o levaram a assinar contrato com o New York Cosmos, em 1975. O astro jogou três temporadas nos Estados Unidos, até 1977, e recebeu US$ 7 milhões por isso, de acordo com o New York Times.

Pelé nos tempos de New York Cosmos
Pelé nos tempos de New York Cosmos (Getty Images)

Mesmo depois destas experiências traumáticas, Pelé sofreria pelo menos mais um tombo. Em 2001, veio a público que sua empresa, a Pelé Sports&Marketing, havia recebido US$ 700 mil para promover um jogo beneficente para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na Argentina. A partida não ocorreu e o dinheiro não foi devolvido. O ex-jogador fechou a empresa a acusou seu sócio de então, Hélio Viana, de desviar US$ 4 milhões.

O ex-jogador abriu ainda a Pelé Pro, com o filho Edinho, mas o empreendimento não foi adiante. Ele decidiu então ceder a gestão se sua marca. Em 2018, o craque lançou a Pelé Foundation com o objetivo de apoiar instituições voltadas a crianças carentes e educação.

Família

Na vida pessoal, Pelé ficou casado com Rose até 1978. Eles tiveram três filhos, Kelly Cristina, Edson, o Edinho – que se tornou goleiro do Santos e vice-campeão brasileiro em 1995 -, e Jennifer.

Ele também teve duas filhas fora do casamento: Sandra Regina, fruto de um relacionamento com Anízia Machado, em 1963; e Flávia, de um relacionamento com a jornalista Lenita Kurtz. Sandra teve que recorrer aos tribunais para ser reconhecida como filha de Pelé. Ela morreu de câncer em 2006.

Nos anos 1980, o Rei namorou a apresentadora Xuxa Meneghel, então em início de carreira. Em 1994, Pelé se casou pela segunda vez, com a cantora gospel Assíria Seixas. Os dois tiveram um casal de gêmeos: Celeste e Joshua. Eles se separaram em 2008. Desde 2016, o ex-jogador foi casado com sua terceira esposa, a empresaria Márcia Aoki.

Pelé bate bola com o presidente americano Ronald Reagan na Casa Branca, em 1982
Pelé bate bola com o presidente americano Ronald Reagan na Casa Branca, em 1982 (Dirck Halstead/Getty Images)

Ministro e artista

De 1995 a 1998, Pelé foi ministro extraordinário dos Esportes, no primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Nesta época, foi aprovada a chamada Lei Pelé, que acabou com o chamado “passe”, instituição que prendia os jogadores aos clubes de futebol.

Em seu período como ministro, Pelé foi condecorado Cavaleiro da Coroa Britânica pela rainha Elizabeth II, do Reino Unido. Ele é Rei e, se fosse inglês, seria também chamado de “Sir”. Jogador e monarca já haviam se conhecido no Brasil, durante visita da chefe de estado nos anos 1960.

Esse é um dos muitos títulos acumulados pelo ex-jogador. Um dos mais conhecidos, porém, é o de Atleta do Século, concedido pelo jornal francês L’Équipe em 1980, e depois repetido por outras publicações e instituições. Ele é também embaixador da boa vontade da União das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Enquanto jogava no Santos, Pelé se formou em Educação Física pela Universidade Metropolitana de Santos (Unimes). Ele adorava música e gravou até disco em parceria com Elis Regina. Participou de várias novelas e filmes. Destaque para “Fuga para a vitória” (1981), de John Huston, em que atua ao lado de Sylvester Stallone e Michael Caine. Na produção, um time de prisioneiros enfrenta um equipe nazista na 2a Guerra.

Saúde

Ao longo dos últimos anos, Pelé precisou ser internado diversas vezes. Se submeteu a uma cirurgia no quadril que fez com que não pudesse caminhar sem auxílio, motivo pelo qual reduziu significativamente suas aparições públicas. Em 2021, fez uma cirurgia para retirada de um tumor no cólon e, desde então, fazia tratamento quimioterápico para combater a doença.

Em todas as internações anteriores, voltou para casa. Desta vez foi diferente: com o quadro clínico piorado por um inchaço, reflexo da perda da função renal, também enfrentou problemas cardíacos e respiratórios.

Teve, ao longo desta internação, a opção por permanecer sob cuidados paliativos, uma medida clínica que proporciona conforto ao paciente em estágio clínico grave e irreversível.

Do lado de fora do hospital, a imprensa acompanhou os últimos dias do Rei do Futebol em raros boletins médicos divulgados pelo hospital e nas postagens dos filhos nas redes sociais. Em uma das últimas fotos publicadas, a família apareceu reunida, nas dependências do Einstein, na noite de Natal.

(Kelly Fersan/Ministério da Fazenda)

Saiba mais

  • “Pelé” (Brasil, 2021), documentário da Netflix
  • ”Pelé Eterno (Brasil, 2004), documentário de Anibal Massaini Neto
  • Livro “Pelé: a importância do futebol”