Prévias operacionais de construtoras

Trisul (TRIS3) e Tenda (TEND3) reportam dados fracos, mas com mensagens diferentes; Gafisa (GFSA3) tem desempenho razoável

BBI destaca que números da Tenda podem ser consideras positivos dado foco em renovar margens, enquanto Trisul deve ter pressão temporária

Por  Felipe Moreira

A temporada de dados operacionais de construtoras brasileiras segue a todo vapor. Nesta segunda-feira (18) foram informadas prévias de Tenda (TEND3), Trisul (TRIS3) e Gafisa (GFSA3).

Nenhuma das três divulgaram números que animaram os analistas consultados e tendo em vista o cenário de juros e inflação alta, que comprimem a renda disponível, as ações tiveram recomendação neutra mantidas.

Na opinião do time de research da XP, a Trisul apresentou mais um trimestre de dados operacionais fracos, prejudicados pelas vendas líquidas atingindo R$ 193 milhões, o que significou uma diminuição de 22% na comparação com o ano passado.

A Tenda também reportou dados considerados fracos na avaliação de analistas do Itaú BBA. “A Tenda reportou um volume de lançamentos fracos no trimestre e as vendas contratadas permaneceram fracas”, reiteraram. Já para o Bradesco BBI, considerando o necessário foco na renovação das margens e priorizando a geração de caixa, o desempenho operacional da Tenda no 2T22 foi visto como positivo.

Enquanto isso, a Gafisa foi única que divulgou números decentes na prévia operacional do segundo trimestre deste ano. O time de análise do Bradesco BBI disse que as vendas de estoque foram o destaque positivo (principalmente finalizado).

Tenda (TEND3)

Apesar da Tenda estar fazendo o necessário para recuperar suas margens, na opinião do Credit Suisse, os resultados do segundo trimestre vieram abaixo das expectativas.

Segundo analistas do banco suíço, a construtora reduziu suas operações (tanto de lançamentos quanto de vendas), tornando-se mais rigorosa com os projetos que estão sendo lançados, e obteve importantes conquistas em termos de ganhos de preços.

Embora a velocidade de vendas tenha desacelerado, o prejuízo foi menor do que os analistas esperavam e os ajustes recentes no programa Casa Verde e Amarela podem aumentar as operações/margens daqui para frente.

Do lado negativo, a Tenda relatou um aumento considerável de cancelamentos de vendas, e “parece provável que os problemas de fluxo de caixa ainda não tenham sido resolvidos”, comentam analistas.

O Credit Suisse reitera recomendação neutra para Tenda, e preço-alvo de R$ 6 frente a cotação de segunda-feira (18) de R$ 4,22.

Já para o Bradesco BBI, considerando seu tão necessário foco na renovação das margens e priorizando a geração de caixa, o desempenho operacional da Tenda no 2T22 foi visto como positivo.

A Tenda apresentou aumentos constantes de preços mês após mês (+9% no trimestre, na média). Os analistas também entendem que há espaço para caminhadas adicionais pela frente, já que a empresa vendeu 4.162 unidades (vendas sobre oferta, ou SoS, de 30%) com lançamentos de apenas 3.824, sugerindo que há espaço para reequilibrar o SoS a preços mais altos, ao mesmo tempo em que reduz os lançamentos para cumprir o acordo da empresa com os credores para limitar os lançamentos em 15 unidades nos próximos 12 meses.

Mesmo o aumento significativo nos distratos (alta de 75% em base anual, para 24% das vendas brutas – o que provavelmente prejudicará o DRE do 2T22) pode não ser considerado totalmente negativo, pois a empresa pode ser capaz de revender estas unidades com margens melhores. No lado negativo, uma queda de 41% em unidades transferidas para os bancos sugere que tivemos outro trimestre de queima significativa de caixa.

“No entanto, acreditamos que a alavancagem adicional já deveria estar no cenário base da Tenda, recentemente apresentado e aprovado com os credores. Dito isto, ainda acreditamos que o processo de recuperação de margem provavelmente levará mais do que alguns trimestres e as restrições de caixa provavelmente se manterão (o que nos mantém neutros para as ações TEND3), mas lemos os números do 2T22 como um sinal de que a administração está começando a colocar o Tenda de volta no caminho certo”, aponta. O BBI tem recomendação neutra para TEND3, com preço-alvo de R$ 7, o que configura um potencial de valorização de 66% em relação ao fechamento da véspera.

Trisul (TRIS3)

A Trisul reportou números operacionais fracos no segundo trimestre, marcando uma desaceleração operacional em base anual, apesar da melhora em relação às comparações fracas do 1T22. A empresa retomou os lançamentos no trimestre, mas a velocidade continuou abaixo de 8%, um recuo -7 pontos percentuais (p.p.) na comparação com mesmo período de 2021, levando o estoque para 39 meses de vendas (de 19 meses no 2T21).

Segundo a XP, o desempenho mais fraco pode ser explicado pelo cenário desafiador no segmento de média renda, devido à inflação mais alta e ao aumento das taxas de juros de imobiliárias.

Para BBI, os números abaixo do previsto refletem uma abordagem conservadora que espera que a Trisul assuma em 2022-23, dado o cenário de baixa visibilidade à frente e provavelmente se traduzirão em geração de receita fraca nos próximos trimestres, pressionando temporariamente a rentabilidade da Trisul e levando a um fraco impulso dos lucros. Dessa forma, BBI mantem recomendação neutra e preço-alvo de R$ 6,00.

Gafisa (GFSA3)

A Gafisa informou que suas vendas líquidas do segundo trimestre somaram R$ 203,4 milhões, volume 13% superior ao de um ano antes. No primeiro semestre, as vendas da companhia somaram R$ 436,9 milhões de vendas líquidas, avanço de 41% ano a ano.

De abril a junho, a companhia lançou R$ 471 milhões, em três empreendimentos. No semestre, foram quatro lançamentos, num total de R$ 526 milhões. A Gafisa não informou os comparativos ano a ano.

A Gafisa apresentou números razoáveis no segundo trimestre de 2022, na avaliação do Bradesco BBI, com lançamentos até o final do trimestre resultando principalmente em vendas fracas, o que impactou negativamente o SoS consolidado da empresa.

Enquanto isso, as vendas de estoque foram o destaque positivo, o estoque total está em alta (R$ 2 bilhões) – “ainda não é uma preocupação, mas vale a pena ficar de olho, principalmente se a Gafisa mantiver a velocidade atual de lançamentos no 2S22”, escreveu time research do BBI.

BBI mantém classificação neutra para o papel, e preço-alvo de R$ 3 frente a cotação de segunda-feira (18) de R$ 1,16.

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