Muitos investidores gostam de comprar ações para lucrar com a valorização delas no pregão da bolsa de valores. Mas há também os que olham para outro tipo de ganho: os dividendos. Para esses, em especial, acompanhar uma métrica conhecida como dividend yield é muito importante. Mas de que se trata exatamente?

Este guia preparado pelo Infomoney traz os detalhes sobre esse indicador que, em linhas gerais, mede quanto é possível ganhar com um papel apenas pelo pagamento de dividendos pela empresa emissora. Aqui você vai descobrir como o dividend yield é calculado, que fatores influenciam no resultado e como usar essa informação para investir melhor. Confira:

O que é dividend yield

O dividend yield é um indicador que mede o rendimento de uma ação apenas com o pagamento de dividendos. Ele é calculado na forma de uma taxa que relaciona os proventos distribuídos pela empresa e o preço das suas ações negociadas na bolsa de valores. Os dividendos, é bom lembrar, representam a parcela do lucro líquido que as empresas distribuem diretamente aos seus acionistas.

O valor desses proventos varia de acordo com alguns fatores. Depende diretamente de quanto a empresa conseguiu lucrar no período, por exemplo. Mas também está ligado à necessidade de investimentos para a empresa cumprir seu plano de crescimento, o caixa que ela tem disponível e os valores mínimos de distribuição estabelecidos no Estatuto Social da companhia.

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Mas como é definido o valor dos dividendos? Os acionistas precisam analisar as demonstrações financeiras da empresa e aprovar a destinação do lucro durante a Assembleia Geral Ordinária. Quando há dividendos para pagar, o valor total é dividido pelo número de ações da companhia. Cada investidor recebe o valor correspondente ao número de papéis que possui.

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Pela lei, as empresas são obrigadas a distribuir pelo menos uma parcela mínima do lucro – é o chamado dividendo obrigatório. Elas têm liberdade para determinar esse percentual. Como regra geral, a fatia do lucro correspondente ao dividendo obrigatório pode ser de qualquer tamanho. Se o estatuto não mencionar esse valor, ele será considerado de 50% do lucro líquido ajustado. Mas se o estatuto não falar sobre o assunto e a Assembleia Geral decidir alterá-lo, o dividendo obrigatório não poderá ser inferior a 25% do lucro líquido ajustado.

Para que serve o dividend yield

O dividend yield é um dos indicadores que podem ser utilizados para analisar e escolher ações de empresas para investir. Essa taxa permite que o investidor compare o rendimento com dividendos de um papel em relação aos outros, oferecendo uma informação adicional para que ele tome sua decisão de investimento.

Trata-se de um indicador importante principalmente para aqueles investidores que gostam de aplicar em ações de empresas que são boas pagadoras de dividendos. Para eles, a recorrência das distribuições permite ter um rendimento mais ou menos previsível, o que é importante para quem deseja “viver de renda”.

As boas pagadoras de dividendos normalmente possuem algumas características em comum. Costumam ser maduras e bem estabelecidas nos seus segmentos de atuação, com uma necessidade de investimento baixa e receitas reajustadas periodicamente. Os exemplos clássicos são as empresas do setor elétrico e de saneamento. Como têm a possibilidade de dividir boa parte do lucro com os acionistas, apresentam também um dividend yield elevado.

Esse tipo de papel é apelidado de “ação de viúva”. Além do retorno com dividendos, outra das suas vantagens é que costumam oscilar com menor intensidade nas épocas de crise no mercado, exatamente porque as empresas emissoras têm um desempenho mais previsível.

Por que é importante para o investidor

Para o investidor, o dividend yield é uma importante referência de performance das ações que estiver analisando para investir. Um exemplo vai ajudar você a entender como. Imagine que você tem duas opções de ações para investir e que está unicamente interessado nos resultados que elas oferecem com dividendos. A primeira paga R$ 0,05 em dividendos por papel, enquanto a segunda oferece R$ 0,08 por papel.

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Uma análise rápida pode indicar que a segunda é a melhor opção em termos de distribuição de proventos, porque oferece um valor superior. Mas se você souber que cada ação dessa custa R$ 10, enquanto no primeiro caso os papeis estão cotados a R$ 5, vai perceber que investindo menos pode conseguir obter um desempenho relativo melhor em dividendos.

É mais fácil fazer esse tipo de comparação quando se observa uma taxa, e não números absolutos. Por isso, o dividend yield costuma ser expresso em percentual. Embora não sejam investimentos da mesma categoria, o indicador pode ser inclusive comparado com a taxa básica de juros quando o investidor está fazendo suas análises.

Há, no entanto, um fator que deve ser considerado ao utilizar esse indicador. Uma ação que esteja muito desvalorizada pode apresentar um dividend yield elevado, mesmo que ela não seja considerada uma boa pagadora de dividendos. O que acontece é um efeito matemático, que você vai entender logo mais, nas próximas seções.

Efetivamente, o dividend yield é um indicador que deve ser analisado em conjunto com vários outros números e dados para embasar uma decisão de investimento. O foco exclusivo sobre ele pode dar uma falsa impressão positiva sobre uma ação – que, eventualmente, pode acabar se revelando um mau investimento.

Como calcular dividend yield

O cálculo do dividend yield é relativamente simples. Basicamente, você precisará de duas informações. A primeira é o valor dos dividendos por ação pagos (ou projetados) pela empresa durante o período determinado que você estiver analisando. A segunda é o preço unitário – a cotação – da ação antes dessa distribuição de dividendos.

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Depois, basta dividir o valor dos dividendos pela cotação da ação. Ao multiplicar o resultado por 100, você chegará a uma taxa percentual equivalente ao dividend yield do papel durante aquele período.

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Imagine que o resultado desse cálculo para uma determinada ação, considerando os dividendos distribuídos ao longo de um período de um ano, tenha sido 10%. Uma forma de interpretar esse número é a seguinte: quem investiu nesses papéis teve um retorno 10% ao ano apenas com a distribuição de dividendos realizada pela empresa emissora.

Esse pode não ser o único retorno obtido pelo investidor com as ações. Se nesse período elas tiverem valorizado – o que é o esperado por quem faz o investimento – também terá havido um ganho de capital. Ele pode ser maior do que o dividend yield, aliás. Também pode ocorrer o contrário, e as ações acabarem desvalorizando, gerando uma perda no período.

Fórmula

Agora que você já entendeu a lógica do cálculo do dividend yield, basta transformá-la em uma fórmula matemática e replicá-la sempre que quiser conhecer a taxa de retorno com dividendos de uma ação. Confira:

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Dividend yield = Dividendos pagos por ação / Cotação da ação x 100

Se você prestar atenção à fórmula, vai entender por que ações muito desvalorizadas podem resultar em um dividend yield elevado. Quanto menor for o denominador na conta, mais alto será o resultado da divisão. Por isso, mesmo que a empresa distribua um valor pequeno em dividendos, o fato de o valor do papel ser baixo pode deixar a impressão (nem sempre verdadeira) de que se trata de uma boa pagadora.

Quais fatores influenciam no dividend yield de uma empresa

Em linhas gerais, o dividend yield é afetado por mudanças que aumentem ou diminuam o valor dos dividendos por ação pagos pela empresa ou a cotação dos seus papéis. Essas duas situações podem acontecer por alguns motivos. Alguns exemplos:

• As empresas podem ter um lucro maior ou menor em determinados períodos. Se o mercado em que elas atuam sofrer uma mudança, ou se elas precisarem realizar um investimento que consuma caixa, ou ainda se questões relacionadas à gestão tiverem um peso importante, seu lucro tende a sentir o impacto – e como os dividendos são a parcela do lucro distribuída aos acionistas, o mesmo ocorrerá com eles.

• As empresas podem alterar a sua política de distribuição de dividendos, pontual ou permanentemente. Em um ano que tenha sido ruim para os negócios, a gestão pode optar por reter os proventos. Em uma ocasião em que um investimento previsto não tenha sido realizado, a gestão pode decidir distribuir os valores para os acionistas. Mudanças no chamado payout – percentual do lucro pago como dividendos – podem resultar em mudanças também no dividend yield.

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• Em casos especiais, mesmo registrando lucro uma empresa pode decidir não distribuir nem os dividendos obrigatórios. Nessa situação, os ganhos são registrados como reserva especial e devem ser pagos assim que o cenário se estabilizar.

• As ações das empresas podem valorizar ou desvalorizar de acordo com os humores do mercado, em função das expectativas para o desempenho da companhia ou ainda como resultado de eventos inesperados. Tudo isso pode causar mudanças no cálculo do dividend yield.

Como saber o dividend yield de uma empresa

É comum que as empresas divulguem o seu histórico de dividend yield nos seus sites de relações com investidores. Nessas páginas, elas condensam todas as informações relevantes para quem deseja se tornar um acionista. A taxa de retorno com dividendos normalmente é uma delas.

Além disso, corretoras de valores e casas de análise também costumam apresentar essa informação em seus relatórios de recomendações de ações. Se você é cliente de uma delas, não deixe de observar com atenção esses documentos. Eles servem para ajudar os investidores a tomar decisões sobre comprar ou não um determinado papel.

Se não for possível obter o dividend yield já calculado, basta colocar a fórmula que você já aprendeu em ação. Solicite à empresa ou peça a ajuda do seu assessor de investimentos para encontrar os valores dos dividendos distribuídos no período que gostaria de analisar, além das cotações na data desejada. Essas informações estão disponíveis nos balanços ou ainda nos comunicados divulgados pelas companhias. De posse delas, é só fazer a conta.

Como analisar e saber se é um bom dividend yield

O dividend yield deve sempre ser considerado uma medida relativa. Ou seja, ele é bom ou ruim em relação ao dividend yield das ações de outra empresa.

Alguns analistas e investidores também utilizam o retorno da taxa do CDI – principal benchmark das aplicações de renda fixa – ou ainda a taxa básica de juros (Selic) como uma referência de comparação para o dividend yield. Embora sejam categorias de investimentos distintas, a lógica é de que o retorno com os dividendos de uma empresa deveria ser no mínimo igual aos juros da renda fixa. Caso contrário, mais valeria investir em uma aplicação com risco menor.
Em resumo, para identificar um bom dividend yield é preciso:

• Compará-lo com o desempenho dos principais indicadores de performance dos investimentos de renda fixa;

• Compará-lo com o dividend yield de outras ações, considerando as características das empresas emissoras (setor de atuação, momento da operação, perspectivas).