Você talvez não ligue o nome à ação, mas é bastante provável que já tinha investido em uma “blue chip”. Esse é o apelido informal dado às ações de primeira linha, um grupo que abrange boa parte dos papéis mais conhecidos da bolsa de valores brasileira. Se esse assunto causou dúvidas, não se preocupe: esse guia irá ajudá-lo a entender os detalhes.

InfoMoney selecionou as principais informações sobre o que são as blue chips e como funciona o investimento nelas. Você vai conhecer o conceito e as características desses papéis, vai entender as vantagens e desvantagens de aplicar neles, além de saber quais estão incluídos nessa categoria. Confira.

O que são blue chips

São conhecidas como “blue chips” as ações com grande liquidez na bolsa de valores, normalmente muito procuradas pelos investidores. Em geral, são papéis emitidos por empresas tradicionais, de grande porte e com boa reputação no mercado. Normalmente possuem uma participação relevante nos mercados em que operam e apresentam bastante solidez financeira. Também são chamadas de “ações de primeira linha”.

Em função dessas características, esses papéis costumam ter cotações elevadas. Aliás, justamente por isso que são apelidados de blue chips. O nome é uma referência ao jogo de poker, em que as fichas azuis são as mais valiosas da mesa.

A liquidez elevada é uma das principais características de uma blue chip. De modo geral, a liquidez é definida como o nível de facilidade com que se converte um ativo financeiro em dinheiro vivo. No caso da bolsa de valores, isso se traduz no volume de negociação.

Ações que são alvo de um número elevado de compras e vendas todos os dias são consideradas ativos “líquidos”. Isso porque um investidor que possua os papéis na carteira provavelmente conseguiria vendê-los rapidamente no pregão se assim quisesse ou precisasse, embolsando os recursos.

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Não existe uma medida absoluta a partir da qual se considera que uma ação tem liquidez elevada. Trata-se de um conceito relativo. Mas há algumas referências que os investidores podem levar em consideração. O Ibovespa, por exemplo, é um índice que reúne as ações com maior liquidez no pregão. O volume financeiro diário é um dos principais critérios para que sejam incluídas no indicador.

Não por acaso, costuma-se dizer que o Ibovespa é formado por ações blue chips. São os papéis mais líquidos do mercado, de grandes empresas, a maioria delas tradicionais no pregão.

As ações blue chips se diferenciam das “mid caps” e “small caps”, que são outras classificações dadas às ações. Mid caps podem ser classificadas como as ações de segunda linha. São papéis de empresas de boa qualidade, mas com liquidez menor e risco maior do que o das blue chips. Os preços normalmente são um pouco mais baixos e também mais sensíveis aos movimentos do mercado.

Já as “small caps” – ou ações de terceira linha – são de empresas de pequeno e médio porte. Elas têm liquidez mais baixa que a das blue chips e das mid caps. Além disso, é comum que apresentem irregularidade no seu volume de negociação. Assim, podem registrar muitos negócios durante um pregão, e depois passar alguns com poucos ou até mesmo nenhum.

Exemplos de blue chips

Existem papéis muito tradicionais na bolsa brasileira considerados blue chips. São ações como as da Petrobras, da Vale, da CSN, da Ambev, dos grandes bancos, entre outras. Uma boa referência de blue chips são as incluídas na carteira do Ibovespa, principal índice de ações do mercado local. Isso porque o principal critério de seleção do indicador é justamente a liquidez dos papéis.

Vantagens e riscos de investir em blue chips

Investir em blue chips é um caminho natural para quem opera na bolsa de valores – especialmente para quem está chegando ao mercado agora. Isso porque essas empresas estão entre as mais conhecidas do mercado e são mais familiares para as pessoas de modo geral. No entanto, é preciso lembrar que quem opta pelas blue chips vai encontrar vantagens e também desvantagens pelo caminho.

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Uma das grandes vantagens de investir em blue chips está exatamente na sua principal característica: a liquidez elevada dos papéis. Como eles são negociados em grande volume e alta frequência no pregão, os investidores normalmente têm facilidade tanto para encontrar esses papéis para comprar, quanto para se desfazer deles quando precisam.

Entre os pontos positivos está também a resiliência das empresas. Como são grandes companhias, em geral muito sólidas, costumam ter espaço para absorver eventuais resultados negativos ou mesmo investimentos mais pesados sem sofrer um grande impacto nas cotações.

Não significa que os papéis têm desempenho positivo sempre, é claro. Crises generalizadas ou períodos de volatilidade intensa no mercado podem ter, sim, impacto sobre as cotações. No entanto, elas normalmente são mais resistentes a essas variações do que as mid caps e small caps, que frequentemente apresentam solavancos mais intensos.

Outro ponto positivo das blue chips é o fato de que elas normalmente figuram entre as ações que pagam bons dividendos. A razão é justamente o fato de serem bem estabelecidas e relevantes nos mercados em que atuam. Em alguns casos, não demandam investimentos muito grandes para crescer ou manter suas operações. Em consequência, conseguem distribuir uma parcela grande do lucro que obtém, o que costuma animar os seus acionistas.

Já um ponto negativo das blue chips está na perspectiva de ganho com essas ações. Como se trata de empresa já maduras e consolidadas, é difícil que apresentem uma virada que renda um lucro muito elevado em pouco tempo. O mais comum é que se mantenham em crescimento, sim, mas em um ritmo mais constante do que repentino.

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É diferente das mid caps e small caps. Estamos falando, nesses casos, de empresas mais jovens, que ainda podem galgar muitos degraus nos mercados em que estão inseridas. Como o crescimento das companhias é um dos fatores que influenciam o desempenho das ações na bolsa de valores, esses papéis embutem possibilidades de ganhos elevados. Ao mesmo tempo, envolvem um nível de risco também maior que o das blue chips. Afinal, as possibilidades de que os planos de crescimento não se concretizem são reais.

Como investir com segurança

Existem vários caminhos para investir em blue chips. Alguns deles exigem uma dedicação maior do investidor, enquanto outros permitem o acesso às ações de primeira linha de maneira simplificada. Confira nos quatro passos abaixo o que é necessário para realizar esse tipo de aplicação com tranquilidade e segurança:

Diversifique os investimentos

Há uma frase típica do mercado financeiro que nunca sai de moda, e ela diz: “Não coloque todos os ovos na mesma cesta”. É um chamado à diversificação. Os especialistas sugerem distribuir os recursos entre aplicações distintas e, principalmente, descorrelacionadas entre si – ou seja, que reajam de maneira diferente aos mesmos eventos do mercado. Dessa forma, uma parte do portfólio pode ajudar a compensar eventuais perdas registradas na outra.

Leve isso em consideração ao investir em blue chips. Procure selecionar uma carteira de ativos com características diferentes e performances não dependentes. Evite investir, por exemplo, apenas em companhias exportadoras, pois todas sentirão os impactos das variações do câmbio ao mesmo tempo. Ou só em empresas do varejo, ou apenas em companhias que exploram matérias-primas. Como existem muitas ações de empresas de primeira linha disponíveis no pregão, é possível montar uma carteira diversificada com relativa facilidade.

Estude os papéis com atenção

Para selecionar as ações blue chips que vai comprar, procure dedicar algum tempo e um pouco de esforço à análise das alternativas no radar. Se seu objetivo for investir para o longo prazo, a dica é aprender sobre análise fundamentalista. Essa técnica de análise considera a situação financeira da empresa, as condições do setor em que está inserida e as perspectivas da economia para estimar o preço justo de uma ação. Esses aspectos são conhecidos como os “fundamentos” das companhias, e ajudam a entender se seus papéis são uma boa opção de investimento ou não.

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Opte pelos fundos

Uma forma simples de investir em blue chips é aplicando em fundos de investimentos em ações. Os fundos são administrados por gestores profissionais, que têm como principal missão escolher os melhores papéis do mercado, considerando a política de investimento definida para cada carteira. Enquanto alguns deles estão focados em determinados setores ou em mid e small caps, muitos investem apenas em blue chips.

Para descobrir quais são os melhores fundos para investir em ações de primeira linha, é importante buscar informações sobre as opções disponíveis. Peça aos gestores dos fundos que estiverem no seu radar documentos como o regulamento e a lâmina de informações essenciais. Normalmente é aí que a política de investimentos – como os setores alvos e as referências de desempenho (benchmark) – é descrita.

Invista em ETFs

Também é possível investir em blue chips comprando cotas de ETF, sigla em inglês para “exchange traded fund”. Trata-se de fundos que replicam a carteira de um índice de ações e que têm suas cotas negociadas no pregão da bolsa como se fossem, elas próprias, ações.

Existem alguns ETFs baseados no Ibovespa. Como eles replicam a composição do índice, comprar cotas desses fundos equivale a comprar uma pequena cesta de blue chips – com a vantagem de fazer apenas uma operação, no lugar das várias que seriam necessárias caso o investidor quisesse investir em todas as ações do índice por conta própria, além de tornar o investimento mais viável financeiramente.