Enfim uma luz no sofrido setor automotivo: setor de duas rodas cresce 34% no ano

Mas, afinal de contas, por que o mercado de motocicletas (vulgarmente conhecido como “Honda + Yamaha + o resto”) está trilhando um caminho totalmente diferente do mercado automotivo?

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Caros leitores, digníssimas leitoras,

Se o setor de quatro rodas só vem dando desgosto nos últimos anos, hoje, para trazermos um pouco de boas notícias, vamos nos ancorar no setor de duas rodas!

Sim, caro leitor, estamos falando de milhões de brasileiros que (assim como Vital) estão realizando o seu sonho de metal!

E o que vem acontecendo com o setor de duas rodas?

Se em automóveis estamos apurando um tombo de 25% nas vendas, no setor de duas rodas estamos, neste primeiro trimestre, com crescimento de 34%.

Nestes primeiros três meses do ano, estamos com 275 mil motocicletas vendidas contra 205 mil no primeiro trimestre do ano passado!

E não é só isso! Estimamos que neste ano deveremos ter 1,43 milhão de unidades vendidas, o que seria o melhor resultado desde 2013.

O pessoal (outras consultorias, entidades e afins) acha que o mercado de motos não será tudo isso. Você verá por aí gente falando entre 1,23 a 1,25 milhão de unidades vendidas, o que é um bom resultado. Mas aí, você vê que é o mesmo pessoal que acha que o mercado de carros irá registrar crescimento nas vendas neste ano, apesar da retração de 25% neste primeiro trimestre. Então a gente fica com o nosso número!

Mas, afinal de contas, por que o mercado de motocicletas (vulgarmente conhecido como “Honda + Yamaha + o resto”) está trilhando um caminho totalmente diferente do mercado automotivo?

Bom, existem algumas explicações que justificam esse forte crescimento. Vamos lá:

– O primeiro (e talvez o principal) é que a motocicleta possui um baixo custo de aquisição e manutenção. Você consegue encontrar um leque de opções por menos de R$ 10 mil. Esse crescimento de 34% está alicerçado em motocicletas pequenas. Motos com até 160 cilindradas (83% de todas as motos vendidas) registraram 38% de evolução nas vendas. Já, por exemplo, aquelas motos mais “parrudas”, com motorização acima de 450 cilindradas (apenas 3% de todas as motos vendidas), registraram evolução de 7%.
– Além disso, com o preço dos combustíveis próximo à estratosfera, ter uma motocicleta é extremamente econômico – a Honda Pop 110i, por exemplo, faz 55 Km/l. Soma-se a isso que pouco mais de 2/3 das motos vendidas já são flex!
– Outro ponto que (infelizmente) motivou esse crescimento foi causado pela atual pandemia. Percebemos o crescimento do conceito de “transporte individual”. Tivemos “n” consumidores que optaram por fazer um pequeno investimento para fugir do transporte público e suas aglomerações.
– Por fim, no atual (e nefasto) ciclo econômico que vivemos, a motocicleta virou um dos grandes protagonistas graças à crescente demanda por delivery (iFood, Uber Eats etc.).

Ainda poderíamos dizer que o crescimento na demanda por motocicletas também sofre uma interferência regional. As regiões Norte (+50%) e Nordeste (+44%), que respondem por 42% das vendas, vêm puxando o bom desempenho do setor. Nesse caso, o coeficiente de Gini (indicador mais usado para medir a desigualdade econômica) explica o motivo de alguns desses estados venderem mais motocicletas do que automóveis, por exemplo.

Para finalizar a explicação do bom desempenho do setor, também tivemos um aumento na concessão de crédito para esse nicho. Seja ele o CDC, a utilização do cartão de crédito para a compra da motocicleta ou a nossa jabuticaba, o sistema de consórcios. Só no ano passado, o sistema liberou mais de R$ 8,8 bilhões para a aquisição das motocicletas.

Enfim uma luz no tão sofrido setor automotivo.

E aí, o que achou? Dúvidas, me manda um e-mail aqui.

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Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.