As criptomoedas “to-earn”: um fenômeno da Web 3.0

Web 3.0 cria um ambiente propicio para a disrupção de várias empresas de tecnologia que hoje dominam nosso dia a dia

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Fonte: Getty Images

Um dos grandes fenômenos cripto em 2021 foi a ascensão dos tokens do seguimento play-to-earn.

Foram inúmeras as pessoas e negócios que foram montados ao redor da sua maior expoente, a Axie Infinity. Não faltaram relatos de pessoas ganhando mais de US$ 1.000 por mês em países como Tailândia e até no Brasil.

A ideia do Axie, que é um jogo que guarda bastante similaridade com o Pokémon, é de que, à medida que o seu Axie luta ou se reproduz, você vai ganhando mais tokens e o próprio “monstrinho” vai ficando mais valorizado no mercado secundário. O jogo também inclui a venda de “terrenos” que podem ser comprados e que futuramente também poderão gerar renda.

O modelo de negócio por trás é o de que quanto mais tempo você passar jogando, mais batalhas e reproduções do Axie você terá e, portanto, mais tokens e valor você ganhará, já que tudo isso pode ser transformado em um token que você pode trocar por qualquer outra cripto ou até fiat.

Apesar do hype com o Axie ter passado um pouco e o token ter refletido isso no seu preço, ele ainda figura entre as 100 criptos mais valorizadas do mercado, entre mais de 20.000 existentes.

Com uma pequena mudança, o modelo está dando passagem para o “move-to-earn“. Você ganha tokens à medida que seus dados de movimentação, andando, correndo, etc são acompanhados. Quanto mais andar, mais tokens ganha.

Um dos principais expoentes desse movimento está sendo a STEPN, aplicativo da rede Solana que começou a ganhar tração há não mais de 2 meses. Como a demanda está enorme, eles estão controlando a quantidade de novos usuários diários via senhas e eu, e inúmeros outros, ainda estamos na fila.

Como adoro andar de bicicleta, utilizo o STRAVA. Esse aplicativo me ajuda no acompanhamento das minhas metas de ciclismo, para achar novos trajetos e tem também uma rede social.

Mas, no caso dele, eu não recebo nada pelos dados que eu faço upload. Muito pelo contrário, tenho que pagar uma assinatura, e óbvio que ele utiliza meus dados juntamente com o de outros inúmeros usuários para extrair valor dessa informação.

Saber que já está em teste um modelo onde eu vou receber pelos dados que disponibilizo é ótimo e é um dos grandes pilares dessa Web 3.0 que está sendo criada. Não deve demorar para modelos similares irem atrás de aplicativos como o Waze, Moovit, Google maps, e outros, já que as similaridades são muitas com esse modelo de move-to-earn da STEPN.

A questão é qual será o próximo “to-earn” que surgirá? Será que veremos um post-to-earn do Instagram ou do tiktok?

Nessas duas plataformas os usuários somente conseguem monetizar via terceiros (promoções e propagandas) à medida que ficam relevantes em termos de seguidores e interações, o que é para poucos. E mesmo assim com muita fricção.

Em um modelo post-to-earn isso seria bem mais fácil e com muito menos fricção. Essa é a grande maravilha da Web 3.0.

E que tal um answer-to-earn para responder pesquisas? E um learn-to-earn implementado em escolas? E vote-to-earn para votar nas próximas eleições em países onde a eleição não é obrigatória? Ou até simplesmente uma competição que envolva digital e real em um tipo de caça ao tesouro-to-earn em uma determinada cidade?

Esses são apenas alguns dos modelos de negócio que podem, e alguns já estão sendo implementos, nessa nova Web 3.0 onde os pagamentos já são nativos da plataforma. Uma mudança significativa que pode causar a disrupção de inúmeras empresas e modelos de negócio que foram criadas há não mais de 20 anos e que hoje dominam nossas vidas.

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Links usados nesse artigo e para quem quiser ir além:

Axie Infinity: como funciona e quais os riscos do jogo com criptomoedas e NFT

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Web 3.0 e a migração do poder para o usuário

Gustavo Cunha

Sócio da gestora de ativos digitais Resetfunds, e do portal de educação Fintrender. Profissional com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro brasileiro, foi ex-diretor do Rabobank Brasil, e está há mais de 5 anos no mercado cripto. Escreve sobre inovação e os impactos dela no mercado financeiro (essencialmente Blockchain, criptomoedas e Fintechs). É um experiente palestrante que concilia prática e teoria nos seus estudos para o doutorado (PHD) na Universidade do Porto (Portugal)