XP chega a lucro recorde de R$ 1,1 bilhão no 3º trimestre, com impulso do varejo e de operações no mercado de capitais  

Em um período marcado pela integração de operações com o Modal, instituição financeira também conseguiu entregar melhor rentabilidade do ano  

Mitchel Diniz Raquel Balarin

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O lucro da XP Inc. (XPBR31) cresceu 5% no terceiro trimestre, na comparação anual, e atingiu a cifra recorde de R$ 1,087 bilhão. O crescimento na receita de varejo e de novas verticais, a melhora no ambiente de negócios no mercado de capitais e a retomada de emissões de crédito privado contribuíram com o avanço da cifra. A companhia anunciou ainda sua segunda distribuição de dividendos aos acionistas desde que abriu seu capital na bolsa americana Nasdaq, em dezembro de 2019.

Considerando o lucro antes de impostos (EBT), de R$ 1,157 bilhão, o crescimento foi de 18% em relação ao terceiro trimestre do ano passado e de 20% em comparação ao segundo trimestre deste ano. A margem EBT, que terminou junho em 27,3%, estava em 28% ao final de setembro. A margem líquida, por sua vez, recuou 123 pontos-base entre o segundo e o terceiro trimestre, para 26,3%, com o impacto das despesas de integração com o Modal.

O retorno sobre patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) da XP avançou ao maior patamar no ano, passando de 22% a 22,6%, mesmo considerando o crescimento do patrimônio da ordem de R$ 2 bilhões com a integração das operações com o Modal.  A XP adquiriu o banco em janeiro de 2022 e a operação foi aprovada em junho deste ano.

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A receita líquida da companhia no terceiro trimestre ficou em R$ 4,132 bilhões, 14% acima do valor registrado um ano antes. A receita bruta foi de R$ 4,4 bilhões, com crescimento anual de 17%. Nessa linha do balanço, o Modal contribuiu com a injeção de R$ 161 milhões.

Varejo e diversificação puxam receitas

A análise das receitas mostra que a estratégia de diversificação dos negócios, com criação de verticais como cartões e seguro e a criação do banco de atacado, tem gerado um impacto positivo para a XP em um cenário ainda difícil para o mercado de renda variável.

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O destaque do trimestre veio do banco de atacado, que atende grandes empresas e mercado de capitais. A receita da área cresceu 83% em relação ao segundo trimestre, atingindo R$ 519 milhões. Na comparação anual, o avanço foi de 19%. As receitas do segmento foram impulsionadas pelo crescimento da linha de mercado de capitais, com uma forte recuperação do mercado de crédito privado.

XP vem destacando que um de seus diferenciais no banco de atacado, que inclui as operações de banco de investimento e é liderado por José Berenguer, é a grande capilaridade que a instituição tem na distribuição de produtos para o varejo.

O varejo segue sendo o carro-chefe da companhia. Do total da receita bruta da instituição financeira, R$ 3,1 bilhões vieram dessa área, valor 10% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. A receita de renda fixa atingiu R$ 718 milhões (R$ 578 milhões no 2T23), maior cifra para um trimestre nesse segmento – destaque para o crescimento de 100% na receita de distribuição de ofertas primárias em relação ao segundo trimestre. Em comparação com os três primeiros meses deste ano, quando o mercado de títulos foi impactado pelo caso Americanas (AMER3), o crescimento da receita com distribuição de ofertas primárias foi cinco vezes maior no 3T23.

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No varejo, a vertical que teve o maior crescimento de receita foi a de cartões, de 77% na comparação anual, com R$ 259 milhões. O volume total de pagamentos (TPV, na sigla em inglês) avançou 62% na mesma base de comparação, para R$ 10,7 bilhões. A XP estima que 50% dos titulares hoje já usam o cartão de crédito XP como seu cartão principal, sobretudo clientes que já possuem investimentos com a instituição.

Lançado há pouco mais de dois anos, a vertical de cartões é um dos exemplos da estratégia de diversificação da XP. Nos últimos dois anos, a receita dessas novas verticais triplicou e hoje já representa 11% do faturamento total da XP (R$ 442 milhões de receita no 3T23).

Apesar do crescimento das novas verticais, a receita de renda variável segue sendo a mais importante no segmento de varejo: R$ 1,1 bilhão no terceiro trimestre deste ano, já considerando a integração com a operação do Modal.

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No segmento de clientes institucionais, a receita da XP foi de R$ 386 milhões, com uma queda de 33% em relação ao terceiro trimestre de 2022, quando houve forte demanda por operações de hedge no período antes das eleições presidenciais.

Despesas e índice de eficiência

Mesmo com a integração do Modal, que gerou despesas gerais e administrativas de R$ 111 milhões no período, a XP conseguiu que seu índice de eficiência chegasse a 37,3%, o melhor dos últimos três anos, indicando um maior crescimento das receitas em relação às despesas. O índice sofreu uma queda de 400 pontos-base na comparação anual e recuou 100 pontos-base em relação ao segundo trimestre.

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As despesas totalizaram R$ 1,547 bilhão no trimestre, com crescimento nominal de 3% na comparação anual e de 24% em relação ao segundo trimestre. Além do efeito Modal na linha do balanço, a cifra foi impactada por despesas relacionadas à realização da Expert XP e pagamentos de bônus. Contudo, o desempenho está em linha com o guidance para 2023, que prevê despesas entre R$ 5 bilhões e R$ 5,5 bilhões.

Desempenho do core business

A XP terminou o terceiro trimestre com 14.300 assessores de investimentos, 23% a mais que o número do mesmo período do ano passado. A captação líquida da companhia mais que dobrou em relação ao segundo trimestre, com alta de 118%, para R$ 48 bilhões. Praticamente todo o volume veio de captações no varejo e inclui R$ 34 bilhões de ativos de clientes do Modal.

O número de clientes ativos da XP cresceu 16%, em bases anuais, para 4,4 milhões. Esse valor inclui 200 mil clientes vindos do Modal e também representa um avanço de 10% na comparação com o segundo trimestre. Os ativos sob custódia cresceram 17% em relação ao terceiro trimestre do ano passado e somaram R$ 1,08 trilhão.

Dividendos

Junto com a divulgação do resultado, a XP anunciou a distribuição de US$ 400 milhões em dividendos. O provento especial será pago no próximo mês de dezembro, na proporção de 73 centavos de dólar por ação.

É a segunda vez que a companhia distribui dividendos desde que abriu seu capital na bolsa americana Nasdaq, em dezembro de 2019. Em setembro deste ano, a XP distribuiu US$ 320 milhões.

A XP encerrou o terceiro trimestre com índice de capital (índice de Basiléia) de 22,1% e espera que esse percentual fique abaixo de 20% ao final do próximo ano.

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Mitchel Diniz

Repórter de Mercados