Hypera (HYPE3) prevê ganhos nos resultados com queda do dólar; ação fecha com leve queda após balanço

Companhia prevê novas compras com taxa de câmbio menor, mas efeitos serão sentidos, sobretudo, nos resultados do início de 2024

Augusto Diniz

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A queda do dólar frente ao real, caso se mantenha, poderá contribuir positivamente para os resultados da Hypera (HYPE3). Segundo Adalmario Couto, CFO da companhia, com o câmbio a R$ 4,80, a companhia pode ter um impacto positivo de cerca de 1 ponto porcentual na margem bruta.

“Mas isso deve ser capturado somente no início do ano que vem”, afirmou ele, a analistas, durante teleconferência de resultados do segundo trimestre. Couto disse que a política de hedge (proteção contra oscilações bruscas do dólar) está em andamento, sendo que a companhia está “hedgeada” até final de outubro com cotação do dólar a R$ 5.

“As novas compras a gente deve conseguir trabalhar com esse câmbio menor, mas deve demorar para transitar em nossos custos, dado o nível de estoque que temos”, disse o executivo.

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Balanço Hypera (HYPE3)

A Hypera (HYPE3) reportou lucro líquido das operações continuadas de R$ 504,4 milhões no segundo trimestre de 2023, montante 10,7% superior ao reportado no mesmo intervalo de 2022.

Ao final da sessão, as ações da companhia fecharam com leve queda, de 0,18%, cotadas a R$ 44,00. Durante o pregão pós-balanço, os papéis variaram entre R$ 43,40 e R$ 44,46.

Em termos de receita, a desaceleração do crescimento do sell-out (ou seja, a venda direta da empresa ao consumidor) foi apontada por analistas de mercado como o principal fator negativo do balanço do 2º trimestre.

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Não por acaso, o CEO da companhia, Breno Oliveira, buscou explicar, a analistas, que a base de comparação com 2022 foi um dos motivos do sell-out ter desacelerado, já que o primeiro semestre do ano passado “foi muito bom, principalmente o segundo trimestre”.

“O sell-out ficou um pouco menor do que se imaginava, por outro lado o crescimento de outros mercados acabou indo acima do que imaginávamos”, disse o executivo.

Mudanças do mercado

Oliveira destacou ainda que o mercado de medicamentos de uso agudo (como analgésicos, antitérmicos, antipiréticos, entre outros) mudou muito, de 2022 para 2023.

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“O mercado desacelerou pelo pico que teve do ano passado. A gente estava muito bem posicionado no mercado ano passado, diferente dos concorrentes, e agora a demanda voltou à normalidade e os concorrentes também”, afirma.

“A gente teve desempenho pior por causa desses fatores, dentro do esperado. A pequena parte que não foi capturada no sell-out do varejo está indo muito bem e compensando esses efeitos”, comentou.

Breno Oliveira afirmou ainda que a companhia está confiante de que irá alcançar seu guidance (projeção de resultado) para 2023.

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“Além disso, seguimos com nossas iniciativas para redução gradual dos níveis estoques nos próximos trimestres”, acrescentou.

Taxação do JCP e dividendos

Por fim, o CEO da Hypera tratou da possível taxação dos juros sobre capital próprio (JCP) e dos dividendos, com a reforma tributária sobre a renda, ainda a ser apresentada pelo governo ao Congresso.

“Estamos conversando com os tributaristas. É uma reforma geral do imposto de renda, que traria implícita a revisão do JCP, tributação de dividendos e de redução da alíquota do imposto de renda de pessoa jurídica. A gente ouve dos especialistas que é difícil mexer somente no JCP”, disse.

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“Se tiver alteração a gente vai se adequar e repensar o melhor uso do nosso capital. Hoje é interessante pagar o JCP”, complementou.

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