Ibovespa reduz ganhos, mas mantém os 105 mil pontos; investidores aguardam votação sobre precatórios

Investidores estão atentos às movimentações em Brasília, onde texto da PEC dos Precatórios deve ser votado em segundo turno na Câmara

Mitchel Diniz

(Shutterstock)
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SÃO PAULO – O Ibovespa  reduziu ganhos no início da tarde, mas se mantém acima dos 105 mil pontos, com as atenções voltadas ao plenário da  Câmara dos Deputados. Está prevista para hoje a votação em segundo turno da Proposta de Emenda a Constituição que pretende adiar o pagamento de dívidas judiciais da União, a PEC dos Precatórios. Antes, os parlamentares devem votar os destaques, as mudanças propostas pelos partidos  que podem mudar de forma significativa o texto discutido atualmente.

Na primeira votação, da semana passada, o texto foi aprovado com uma diferença apertada, de apenas quatro votos. Parlamentares de oposição questionaram a decisão, pois deputados que estavam fora, em missão oficial, participaram da votação remotamente. No início da madrugada de hoje, teve início em sessão do plenário virtual do Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento da liminar da ministra Rosa Weber, que suspendeu os pagamentos das emendas de relator ao Orçamento, o que poderia impactar o apoio à PEC.

Ao contrário das emendas individuais, que seguem critérios específicos e são divididas de forma equilibrada entre os congressistas, essas emendas não seguem os mesmos critérios e beneficiam apenas alguns dos parlamentares, a partir de acertos informais com o governo. Por isso, compõem o que vem sendo chamado de “Orçamento secreto”.

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A ministra suspendeu as emendas relativas a 2021 e determinou que o governo e o Congresso adotem medidas de transparência para a execução dos recursos relativos aos Orçamentos de 2019 e 2020.

Quando a PEC foi proposta pelo governo há pouco mais de três meses, os participantes do mercado reagiram mal. O alongamento das dívidas judiciais chegou a ser chamado de medida populista e de calote por economistas e analistas. Hoje, ironicamente, a Bolsa parece depender do avanço da Proposta para conseguir subir.

Para os participantes do mercado, a PEC é vista como uma “maquiagem”, pois abre espaço no Orçamento jogando dívidas para frente no estilo “pago quando puder”. Porém, sem ela, o governo teria que colocar em prática um plano B para financiar o Auxílio Brasil, como a criação de créditos extraordinários, o que é visto como “um furo legítimo” no Teto dos Gastos. O plano B faria com que as contas públicas piorassem mais rápido, obrigando o Banco Central a subir mais os juros para compensar riscos fiscais.

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Além desses riscos, os investidores também continuam atentos aos resultados das empresas no terceiro trimestre (veja abaixo no Radar Corporativo). A temporada de balanços segue a todo vapor e tem trazido, no geral, números melhores do que o esperado. Em destaque, nesta sessão, as ações do Banco do Brasil (BBAS3) subiam cerca de 3% após o resultado.

Às 13h08 (horário de Brasília), o Ibovespa operava em alta de 0,88% aos 106.328 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em dezembro de 2021 tinha alta de 0,8% aos 106.420 pontos.

“Hoje a Bolsa deve operar com volatilidade acima do normal por conta da votação da PEC”, afirmou Henrique Esteter, especialista em ações do InfoMoney, no Infomorning desta terça-feira.

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O dólar comercial cai 0,82% a R$ 5,495 na compra e R$ 5,496 na venda. O dólar futuro com vencimento em dezembro de 2021 cai 0,97% a R$ 5,518.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2023 cai sete pontos-base, a 12,18%; DI para janeiro de 2025 recua dez pontos-base a 12,03%; e o DI para janeiro de 2027 tem queda de dez pontos-base, a 11,88%.

Nos Estados Unidos, as Bolsas devolvem ganhos após dias seguidos de alta. O Dow Jones cai 0,48%; o S&P opera com queda de 0,42%; e o Nasdaq recua 0,45%. Ontem, as Bolsas em Nova York renovaram máximas históricas, repercutindo a aprovação do pacote de infraestrutura no Congresso americano.

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Agora, os investidores vão ficar atentos a indicadores de inflação. O índice de preços ao produtor (PPI) avançou 0,6% em outubro frente a setembro, vendo em linha com as estimativas dos economistas. Amanhã será divulgado o índice de preços ao consumidor, também com expectativa de alta mensal de 0,6%.

Na Europa, o índice Stoxx 600, que reúne empresas de setores-chave em 17 países recua 0,10%.

Os preços do petróleo também sobem. O barril do Brent avança 0,36% a US$ 83,73 e o do WTI sobe 0,92% a US$ 82,68. O minério negociado na bolsa de Dalian voltou a cair hoje e fechou em baixa de 0,97%, a 561 iuanes, o equivalente a US$ 87,78.

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Leia mais: Crise de construtoras da China volta a pesar sobre minério

As bolsas asiáticas tiveram desempenhos mistos. O índice Shanghai SE recuou 0,75%; o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,2%; e o Kospi, da Coreia do Sul, fechou com uma ligeira alta de 0,08%.

Radar corporativo

A temporada de resultados mais uma vez ganha destaque nesta sessão, com a divulgação dos números do BB, Yduqs e Gol. Depois do fechamento, Braskem, MRV, RD, Localiza, Carrefour, Aeris, Alupar, Iguatemi, Dotz, Mitre, Santos Brasil e Sequoia divulgam seus resultados.

Gol (GOLL4)

A Gol (GOLL4) reportou prejuízo líquido de R$ 2,526 bilhões no terceiro trimestre de 2021 (3T21). O resultado representa um crescimento de 46,9% em relação ao mesmo período de 2020.

A receita operacional líquida, por sua vez, somou R$ 1,915 bilhão no 3T21, alta de 96,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Banco do Brasil (BBAS3)

O Banco do Brasil (BBAS3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 5,1 bilhões no terceiro trimestre deste ano, número 2% maior que o reportado no segundo trimestre e 47,6% superior ao do mesmo período do ano passado.

As previsões da Refinitiv para o lucro do Banco do Brasil era de um lucro de R$ 4,496 bilhões, alta de 29,12% comparado com 3T20 (R$ 3,482 bilhões) e queda de 10,78% na comparação com o segundo trimestre de 2021 (R$ 5,039 bilhões).

O banco aprovou a distribuição de cerca de R$ 1,123 bilhão em juros sobre capital próprio complementares aos acionistas, a um valor de R$ 0,39370314870 por ação.

O valor será imputado ao dividendo mínimo obrigatório referente ao 2º semestre de 2021 e será pago em 30 de novembro, tendo como base a posição acionária do dia 22, sendo as ações negociadas “ex-direitos” a partir do dia 23.

O Banco do Brasil revisou ainda as projeções para o ano de 2021. O lucro líquido ajustado passou de uma projeção de R$ 17 bilhões a R$ 17 bilhões para R$ 19 bilhões a R$ 21 bilhões. Já a carteira de crédito foi revista para uma variação entre 14% a 16% ante 8% a 12%. Já a margem financeira bruta teve sua projeção revisada para 4% a 6% contra 1% a 4% anteriormente.

Itaúsa (ITSA4)

A Itaúsa (ITSA4) lucrou de forma líquida R$ 2,361 bilhões no terceiro trimestre de 2021, número 32,4% maior do que o lucro de R$ 1,784 bilhão registrado em igual período do ano passado.

Conforme a empresa, o incremento no lucro anual foi decorrente do maior resultado de equivalência patrimonial e maior custo da holding, além de efeitos não recorrentes, que tiveram impacto negativo de 313 milhões.

Segundo a empresa, o lucro recorrente somou R$ 2,675 bilhões, uma alta de 35,4%.

O Conselho de Administração da Itaúsa (ITSA4) deliberou o pagamento, em 3 de janeiro e 1 de abril de 2022, de juros sobre o capital próprio (JCP) no valor de R$ 0,0235295 por ação, com retenção de 15% de imposto de renda na fonte, resultando em juros líquidos de R$ 0,02 por ação.

BTG Pactual (BPAC11)

A BTG Pactual (BPAC11) reportou lucro líquido de R$ 1,79 bilhão no terceiro trimestre de 2021 (3T21). O resultado representa um crescimento de 77% em relação ao mesmo período de 2020.

A receita total somou R$ 2,478 bilhões no 3T21, alta de 55% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O ROAE atingiu 20,1% entre julho e setembro deste ano, alta de 4,4 pontos percentuais na comparação ano a ano.

Yduqs (YDUQ3)

A Yduqs (YDUQ3) reportou lucro líquido de R$ 78,2 milhões, queda de 35,2% no terceiro trimestre.

O Ebitda cresceu 8,8% no período, para R$ 361,3 milhões.

Direcional (DIRR3)

A Direcional (DIRR3) registrou lucro líquido de R$ 47,184 milhões no 3T21, alta de 65,2% na comparação anual.

O Ebitda ajustado somou R$ 100,666 milhões, avanço de 36,3% em relação ao mesmo período de 2020.

Três Tentos (TTEN3)

A Três Tentos (TTEN3) registrou lucro líquido de R$ 97,9 milhões no terceiro trimestre de 2021, aumento de 1,4% na comparação anual.

O Ebitda ajustado subiu 33%, para R$ 147,6 milhões.

Lojas Quero-Quero (LJQQ3)

A Lojas Quero-Quero (LJQQ3) lucrou de forma líquida R$ 15,6 milhões no terceiro trimestre de 2021, número 48,3% menor do que os R$ 30,1 milhões registrados em igual período do ano passado.

Apesar da receita da varejista que atua apenas em pequenas cidades do interior ter crescido 16,3%, saindo de R$ 574,2 milhões para R$ 668 milhões, a companhia viu também suas margens diminuírem, com maiores gastos. As despesas operacionais, que incluem os gastos com vendas e com administração, totalizaram R$ 162,2 milhões, alta de 18,4% na base anual.

CBA (CBAV3)

A CBA (CBAV3) reportou que o prejuízo passou de R$ 460 milhões no 3TRI de 2020 para R$ 41 milhões no mesmo período deste ano.

A Ebitda ajustado somou R$ 314 milhões no 3T21, crescimento de 97% na comparação anual.

Getninjas (NINJ3)

A GetNinjas (NINJ3) reportou no terceiro trimestre de 2021 (3TRI21) prejuízo líquido de R$ 10,682 milhões, contra lucro líquido de R$ 1,355 milhão no mesmo período de um ano atrás.

Technos (TECN3)

A Technos (TECN3) apresentou lucro líquido no terceiro trimestre de 2021, número 74,4% maior do que o aferido no mesmo período de 2020. Foram R$ 6,4 milhões, contra R$ 3,7 milhões do mês trimestre de 2020.

Segundo a própria empresa, “a performance positiva do terceiro trimestre foi construída por meio de um importante equilíbrio entre crescimento de vendas e rentabilidade econômica, proporcionado pela aceleração de iniciativas inovadoras que incluem o crescimento de canais e produtos core e a crescente digitalização de canais e produtos da empresa”.

Lojas Marisa (AMAR3)

A Lojas Marisa (AMAR3) registrou lucro líquido de R$ 44,4 milhões no 3T21 e revertendo prejuízo de R$ 124,5 milhões reportado um ano antes.

O Ebitda totalizou R$ 11,7 milhões, ante negativo de R$ 80,7 milhões no mesmo trimestre de 2020

Bradespar (BRAP4)

O Conselho de Administração da Bradespar (BRAP4) aprovou o pagamento de dividendos, nos termos propostos pela Diretoria, no montante de R$ 2,3 bilhões, sendo R$ 5,494409924 por ação ordinária e R$ 6,043850916 por ação preferencial.

O valor foi apurado com base no balanço levantado em 30 de junho de 2021, e refere-se à antecipação da destinação do resultado do exercício de 2021.

Proventos beneficiarão os acionistas posicionados no papel em 16 de dezembro (“data com”), passando as ações a serem negociadas “ex-dividendos” a partir de 17 de dezembro de 2021.

B3 (B3SA3)

A B3 (B3SA3) informou nesta segunda-feira (8) que o número total de investidores na bolsa atingiu 3.386.310 de CPFs individuais em outubro, representando um incremento de 28,1% sobre o mesmo mês do ano passado.

O volume financeiro médio do segmento de ações somou R$ 36,160 bilhões em outubro. Isso significou uma alta de 27% na comparação com outubro de 2020 e um avanço de 4,2% sobre setembro.

Porto Seguro (PSSA3) e Cosan (CSAN3)

A Porto Seguro (PSSA3) e a empresa de energia e logística Cosan (CSAN3) anunciaram na segunda-feira (8) a formação de uma joint venture de assinatura de veículos e de gestão de frotas, com a crescente aposta de ambas em mobilidade urbana.

A joint venture terá participação de 50% de cada sócia, com a Porto Seguro participando do negócio por meio de sua unidade Carro Fácil, que já atua em assinatura de veículos. A Cosan vai aportar cerca de 300 milhões de reais na parceria.

Azul (AZUL4)

A Azul (AZUL4) registrou em outubro um tráfego doméstico de passageiros, medido pelo RPK (número de passageiros transportados multiplicado pelo total de quilômetros), crescendo 62,6% na comparação com o mesmo período de 2020. Foram 2,3 bilhões de quilômetros voados por passageiro transportados pela companhia aérea, ante 1,4 bilhão no ano passado.

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Mitchel Diniz

Repórter de Mercados